quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Olhares sobre o Currículo de Licenciatura em Artes Visuais


O primeiro núcleo de disciplinas dos três cursos de Artes a distância da UnB (Artes Visuais, Teatro e Música) é comum. No entanto, a partir do segundo semestre, começaremos a cursar disciplinas relativas às especificidades de cada área de formação.


Fomos convidamos pelos tutores a compartilhar os nossos olhares a respeito do “Projeto Político Pedagógico de Licenciatura em Artes Visuais, Teatro e Música”, levantando dúvidas e indagações, para aprofundar a discussão sobre as concepções que perpassam a construção do Curso de Licenciatura em Artes. Essas reflexões seguem abaixo:


1. Possibilidades, limitações e potenciais dos pólos

Proposta: uma discussão sobre as possibilidades de desenvolvimento de projetos de arte e cultura nos pólos presenciais, que sejam relevantes para a vida dos pólos, e das comunidades locais.

Resposta: acho que é de fundamental importância o aproveitamento pleno dos pólos da UAB. Afinal, se tratam de equipamentos públicos, bem equipados, onde foram feitos altos investimentos, portanto, não deveriam funcionar apenas como apoio à modalidade EaD. Além disso, sob o ponto de vista dos alunos, acredito que façamos parte de um grupo privilegiado por estarmos tendo acesso ao ensino superior público de instituições do nível da UnB, portanto, é quase como se fosse uma obrigação moral nossa agirmos como multiplicadores do conhecimento ao qual temos acesso.

É claro que, à medida que o curso avançar, essa transferência será cada vez mais proveitosa para as comunidades locais. As possibilidades são infinitas: inclusão digital, aulas profissionalizantes, ações comunitárias pontuais ou permanentes que beneficiem diferentes grupos ou instituições locais - apenas para citar algumas. Além disso, como Cristina salientou, muitos alunos já são produtores de arte (pintores, escultores, atores, etc.) e poderiam fazer exposições, levar peças teatrais, enfim, seria uma democratização da cultura para as pessoas que não têm acesso e, também, uma maneira desses artistas divulgarem seu trabalho na cidade.

Falando especificamente de Itapetininga, creio que o pólo poderia – e deveria - se transformar num importante centro cultural para toda a região que, com exceção de Sorocaba e Tatuí, não oferece muito em termos de arte e cultura. A cidade de Itapetininga possui mais de 130 mil habitantes, uma população considerável, entretanto, com pouquíssimas opções de cultura e lazer, especialmente para as camadas mais pobres. Apenas recentemente se instalou aqui o teatro do SESI, não há muitas salas de cinema (exceto as do shopping, cujos ingressos não são acessíveis à maior parte da população), museus e galerias de arte, então, nem se fala! Apenas na música ainda existe uma oferta um pouco maior, mesmo assim, muitos shows são pagos, o que, novamente, exclui o acesso de muita gente.


3. Curso de Licenciatura em Artes Visuais


Proposta: discutir neste tópico as questões relacionadas com o curso de Licenciatura em Artes Visuais. Participar com comentários e indagações.

Resposta: estamos tendo uma discussão sobre o PPP - Projeto político-pedagógico do nosso curso. Além dele, estamos analisando um documento do MEC: Orientações Curriculares para o Ensino Médio.

Ambos são documentos interessantes, pois foram concebidos para contemplar todos os aspectos do ensino da arte no Brasil contemporâneo e da formação básica dos arte-educadores, que serão os responsáveis pela difusão e melhoria da qualidade do ensino de arte no país. Porém, guardadas as devidas proporções, quanto do exposto, em ambos os documentos, poderá ser realmente implementado, tal qual concebido teoricamente?

A grande maioria das escolas públicas está em condições deploráveis. Não há recursos, não há incentivo de parte alguma, muitas vezes, existe apenas o idealismo do educador, que passa por cima de todas as dificuldades, fazendo do nada o tudo, para manter uma escola em funcionamento. São escolas de lata, feitas de taipa, com paredes de isopor, e até sem paredes. Nessas condições, é factível a proposta do OCEM?

E quanto ao nosso currículo específico, de Licenciatura em Artes Visuais, a UnB/UAB conseguirá cumprir fielmente com as proposições feitas no PPP? Isso só será respondido no decorrer dos próximos 4 anos e, quanto ao ensino público, cada um de nós também terá uma resposta.

Saindo um pouco da discussão conceitual, e focando nos aspectos práticos, desde já, percebo que algumas coisas não estão acontecendo como o previsto no PPP: por exemplo, na página 8 (item 2.4.4. - Descrição do material do curso) menciona-se uma série de materiais e recursos muito interessantes. O trecho diz que “(...) um conjunto de materiais será remetido aos alunos por correio, com alguns dias de antecedência ao previsto para o início de cada módulo”. Esse conjunto seria composto, entre outras coisas, de:

1. Guia de estudo: orientações específicas para o estudo e as atividades do aluno no módulo;
2. Caderno de atividades do aluno: atividades, exercícios individuais e em grupo, especificando quais tarefas devem ser enviadas aos tutores para acompanhamento e avaliação;
3. CD-ROM: com material adicional e facilidades de conexão.

Cadê? Nós, aqui de casa, não recebemos nada! E são materiais extremamente necessários, pois sinto que, às vezes, nós, alunos, ficamos meio perdidos nas atividades (prazos, forma de envio, etc.). Também não existe o tal “reminder de tarefas” a serem feitas, como mencionado no PPP (p. 10), ferramenta que facilitaria em muito o nosso acompanhamento de elaboração e entrega de tarefas, participação nos fóruns, etc. O volume de trabalhos é muito grande, são três disciplinas distintas, cada uma com a sua demanda específica, portanto, é natural que fiquemos meio perdidos no meio de tanta informação.

Outro fator que dificulta é o de ainda não estarmos totalmente familiarizados com a plataforma Moodle, pelo menos a maioria não está, pelos comentários que lemos nos fóruns. Eu mesma já falei aqui no meu Diário de Bordo do WIKI, que, se teoricamente é uma ferramenta ótima, na prática a sua interface é tudo, menos amigável! E olha que eu sou uma “fuçadora” de mão cheia - gosto de computadores e entendo de informática, mas, mesmo assim, muitas vezes apanho do Moodle. Imagino quem não tem muita intimidade com informática, então! Deve estar mais perdido que “cachorro em dia de mudança”... (rs).

Não quero ser a “chata de plantão”, só levantei esses pontos para demonstrar que, como dizem, “o papel aceita tudo”, ou seja: na teoria, a coisa funciona de um jeito e, na prática, a dinâmica é outra, por mais que se tenha boa-vontade, às vezes, o que era viável no planejamento não é factível na execução.

Ademais, eu resolvi o meu problema de acompanhamento de tarefas com uma planilha em Excel. Sei que pode parecer o cúmulo do “CDFismo” (rs) mas, já comentei nos fóruns que sou metódica e só funciono com muita organização. Então, ao invés de ficar em contemplação, tipo: “ah, que pena que não tem o reminder de tarefas” eu vou e faço um!

Fiz esse trabalho recentemente (no dia 21/11), mas já está sendo muito útil. Especialmente pelo fato de, em casa, sermos duas estudantes fazendo o mesmo curso, e de Nega estar trabalhando muito ultimamente, ela conta comigo para colocá-la em dia sobre as tarefas que estão pendentes, etc. Por isso, achei que essa planilha a auxiliaria também: é só checar para saber em que pé estão as coisas, o que já foi feito, o que foi feito, mas ainda não foi postado, etc. Olha a “carinha” da planilha aqui:



É claro que também existe um preço a se pagar pelo pioneirismo. A experiência de EaD é relativamente nova no Brasil, ainda está, por assim dizer, em estágio embrionário. Várias adequações terão de ser feitas e, quase sempre, é só no dia a dia que a necessidade de alterações de percurso se apresenta. É humanamente impossível se prever todas as variáveis porque elas são exatamente isso: variáveis. Fatores que escapam ao controle.

Por isso, não estou aqui apenas para criticar, até porque uma crítica nem sempre é algo desfavorável, como as pessoas tendem a encarar. Pode ser muito construtiva, também. Especialmente se não for uma crítica vazia.

Afinal de contas, eu estou aqui, cursando licenciatura em Artes Visuais na UnB, uma das melhores instituições de ensino superior do país, gratuitamente, algo que até a bem pouco tempo me parecia impossível. Por isso, eu aplaudo o projeto, com seus “prós e contras”, porque, se não é perfeito, a simples iniciativa de se fomentar a UAB já se constitui num passo gigantesco para a melhoria do ensino no Brasil.

4. O que é um currículo para formação em Artes?

Proposta: colocar as dúvidas, reflexões e indagações sobre a construção do currículo que é, sobretudo, coletiva.

a) Na sua opinião, o que é um currículo em Artes?
Um conjunto de conhecimentos teóricos e práticos que serão a base da formação dos arte-educadores e lhes possibilitará a transferência desses conhecimentos aos vários atores da sociedade brasileira, em especial os alunos do ensino básico, porém, não restrito a eles, já que a escola pode e deve beneficiar outros grupos, tais como: familiares, comunidades, etc.

b) Como é construído?
Segundo a Carta aos Professores, do documento Orientações Curriculares para o Ensino Médio (p. 5), o currículo para a formação em Artes foi elaborado a partir da discussão do Ministério da Educação (MEC) com as equipes técnicas dos Sistemas Estaduais de Educação, professores e alunos da rede pública e membros da comunidade acadêmica.
No caso específico do Arte-educador, o currículo levou em consideração propostas e reivindicações dos professores, formuladas em diversas instâncias de representação profissional, tais como: FAEB, ABEM e ABRACE.

c) Quais são as funções e finalidades dos nossos Currículos?
As funções são relativas à formação técnica do professor (conhecimento teórico e prático) que lhe possibilitará ministrar o ensino de Arte, bem como a sua formação psico-pedagógica.
A principal finalidade é a elevação da qualidade do ensino de Artes no âmbito da educação básica no Brasil.

d) O que é um currículo vivo?
Um currículo dinâmico, flexível, atento às novas linguagens e tecnologias disponíveis, e que se adapte às necessidades para uma boa formação dos professores e, conseqüentemente, dos alunos.

e) Como você percebe a organização das áreas e das disciplinas?
O currículo está dividido em 4 núcleos: Acesso ao Curso, Fundamentação, Aprofundamento e Formação Específica em Artes Visuais, e Conclusão do Curso. Estes núcleos estão subdivididos em módulos que atendem necessidades específicas para a transferência dos conhecimentos teóricos e práticos ao futuro licenciado.

1. Núcleo de Acesso ao Curso: seus módulos dão uma visão geral de como será o desenvolvimento dos 4 anos de graduação e instrumentaliza o aluno da UAB/UnB para a modalidade de Educação à Distância (EaD);

2. Núcleo de Fundamentação: visa garantir o desenvolvimento do futuro licenciado nas habilidades fundamentais que um professor deve possuir, a fim de garantir uma educação de qualidade aos alunos do ensino básico;

3. Núcleo de Aprofundamento e Formação Específica em Artes Visuais: o título é auto-explicativo; tem por objetivo a pesquisa e a prática – por meio da participação em laboratórios e ateliês - das diferentes linguagens artísticas, bem como a participação do aluno em projetos e estágios supervisionados, que possibilitarão a aplicação do conteúdo acadêmico adquirido no curso à prática profissional;

4. Núcleo de Conclusão do Curso: análise e avaliação do desenvolvimento do aluno da UAB/UnB, ou seja, nessa altura, o futuro licenciado em Artes deverá demonstrar a qualidade de sua apropriação dos conhecimentos com os quais teve contato durante os 4 anos de curso, a fim de que sua graduação possa contribuir para a elevação da qualidade do ensino básico no Brasil.

Minha visão sobre a disciplina EEAD



Essa disciplina, Estratégias de Ensino e Aprendizagem a Distância, visa nesse momento inicial do curso nos instrumentalizar com ferramentas que possam facilitar o cotidiano de estudos e, principalmente evitar a evasão, pois, se a evasão é grande num curso presencial, essa tendência aumenta num curso a distância. Isso porque se trata de uma modalidade (EaD) que requer muita disciplina e, temos de levar em consideração que a “sala de aula” se transfere para as nossas casas, onde o risco de interferências é bem maior. Assim, são vários os fatores que podem acabar contribuindo para a evasão.

Até o momento, já foram levantados diversos assuntos, cada um deles abordando um aspecto da EaD: diagnóstico das condições externas, cultura da EaD, o aluno da EaD, o estudo na EaD e, a organização do estudo à distância e, agora, na unidade 6, as dificuldades e estratégias para a melhoria do estudo e da aprendizagem. Acho muito válida essa preocupação da UnB, principalmente porque tais discussões e reflexões servirão não apenas para os alunos, mas para dar mais subsídios à instituição, a fim de que ela possa melhorar processos para as próximas turmas, etc, garantindo assim a perenidade do projeto UAB.

Porém, apesar de reconhecer a validade da iniciativa, vou ser muito sincera: tenho dificuldade com certas abordagens dessa disciplina. Isso principalmente por dois motivos: porque as propostas, muitas vezes, têm um aspecto estritamente emocional, e eu sou uma pessoa bastante pragmática. Segundo porque as atividades são extremamente repetitivas. É mais ou menos trocar 6 por meia-dúzia: as perguntas são perecidíssimas, os exercícios idem. É chato quando um assunto já foi mais do que debatido e, mudando uma vírgula aqui e um ponto ali, o mesmo assunto volta à baila na semana seguinte. Desestimulante.

Quanto ao aspecto emocional das propostas, eu acredito, sim, que fatores emocionais possam interferir grandemente em todos os outros aspectos de nossas vidas, eu mesma estou passando por um momento de muita dificuldade que, várias vezes, acaba me atrapalhando: quando me deprimo, por conta desses problemas que tenho enfrentado, perco a concentração e a motivação. Mas, ainda assim, tenho muita dificuldade em executar algumas das propostas desta disciplina, especialmente aquelas que contém um claro viés de auto-ajuda.

Putz, auto-ajuda, para mim, não funciona mesmo! Me irrita profundamente, essa coisa de que a “felicidade está bem diante de você, basta estender a mão, etc...”, “querer é poder”, blá, blá, blá, todo esse lance Roberto Shiniashik, enfim, não dá! Que me desculpem os entusiastas dessa abordagem, mas, comigo, não rola.

Quem, em sã consciência, fica se sabotando? Quem não quer pegar a bendita “realização pessoal” nas mãos, já que ela está assim tão acessível, e viver com ela, felizes para todo o sempre? Eu, pelo menos, não tenho nada de masoquista; se as coisas comigo não estão bem, é porque realmente não estão bem e por motivos bem palpáveis, não é “coisa da minha cabeça”. Se não, vejamos: não tenho um emprego há mais de um ano, por isso, estou sem grana, estando sem grana, as contas vão se acumulando, se as contas se acumulam, eu fico nervosa, se fico nervosa, meus relacionamentos afetivos ficam abalados, se estão abalados, fico infeliz e deprimida, e por aí vai... Cada coisa que acontece na minha vida - e na de todo mundo - tem um motivo (real) e uma implicação (real). Portanto, por mais místico (ou cômodo) que seja, simplesmente não dá para dizer que tudo isso é porque eu não estou em “comunhão com o meu ‘eu’ interior” ou “aberta para o cosmos” para que o “universo possa conspirar a meu favor”. Ah, por favor, me poupem!

Bom, depois desse arroubo, vamos voltar ao que interessa: à discussão sobre a disciplina. Como exemplo dessa abordagem com um forte viés de “auto-ajuda”, eu posso citar a proposta de criação do “Diário Criativo”. Resumidamente, trata-se de um exercício onde devemos responder algumas perguntas desencadeadoras de reflexão para nos ajudar a prestar atenção aos altos e baixos emocionais, conhecer o impacto que os acontecimentos têm no nosso universo subjetivo, de forma a descobrirmos como esse universo impacta nos nossos estudos. As perguntas são do tipo:

1) Qual foi a dor que te curou mais?
2) Como eram as circunstancias nas quais você esteve mais perigosamente vivo?
3) Faça um ritual caseiro no qual você se compromete a atrair mais bênçãos para a sua vida.

Etc.

O Diário criativo não precisa necessariamente ser compartilhado com os tutores ou colegas, trata-se de um exercício confidencial, a fim de não causar nenhum tipo de constrangimento, o que eu acho bem legal. Nem sempre estamos dispostos a expor nossas fraquezas em praça pública, não é mesmo? Entretanto, ainda que ache extremamente válido, eu não o fiz, pois, para mim, a elaboração do Diário Criativo não teria o efeito desejado.

Como não precisamos mostrá-lo a ninguém, mas, temos de relatar no fórum específico (Metodologia do Diário Criativo) as nossas impressões a respeito de sua elaboração e metodologia, fui bastante franca a respeito, mesmo sob o risco de parecer pedante. Fiz isso porque não acredito em meias-verdades. Porque estamos num curso superior e não faria o menor sentido “enganar” minha tutora escrevendo um monte de “lero-lero” apenas para fazer uma “linha”.

Abro um parêntesis aqui para explicar que, de forma alguma, quero desmerecer a proposta do Diário Criativo, ou os colegas que a adotaram, pelo amor de Deus! Eu apenas quis ser verdadeira no que concerne a mim, por isso, expliquei o seguinte, no fórum que eu acho que esse exercício pode contribuir muito, no sentido de fazer com que haja uma reflexão sobre as barreiras que podem ser criadas por nós mesmos, em conseqüência de um emocional abalado, por exemplo.

Porém, para ser absolutamente honesta, que eu não sabia se estava pronta para ele... e acho que essa reflexão só seria válida se fosse feita com seriedade e comprometimento, e não apenas para ‘cumprir tabela’, por assim dizer, até porque, não faria o menor sentido: as respostas são confidenciais e não dá para enganar a si próprio, não é mesmo?.

Pois bem, agora me encontro em situação parecida, com outra proposta: fomos convidados pela tutora da disciplina a fazer um exercício sobre a gestão do nosso tempo, a fim de investigar de que forma os alunos podem reestruturar suas atividades a fim de acomodar os seus horários de estudos.

Bem, isso envolve alguns passos, a saber:

1. Descreva em uma lista um plano para as suas atividades diárias, desde a hora que você acorda até a hora que você deita, coloque dentro de um envelope lacrado e guarde na gaveta;
2. Descreva em uma lista suas atividades rotineiras, no tempo real que elas tomam para serem feitas;
3. Descreva a partir de uma observação mais precisa o que você faz de fato no decorrer de seu dia;
4. Abra o envelope, olhe a sua lista Ideal do uso do tempo. Abra a segunda lista, olhe com bastante atenção e compare as duas listas;
5. Descreva suas estratégias para otimizar o uso do seu tempo no seu Diário de Bordo;
6. Montar, baseando-se no texto “Como Montar seu quadro horário”, um plano de estudo ideal para você.
7. Tentar seguí-lo e ir relatando os reajustes que você está fazendo entre o plano ideal, e o plano “realista” que resulta das suas observações.

Então, é bem legal, mas, como é que eu vou me beneficiar disso se estou desempregada e tudo o que eu tenho, nesse momento, é tempo de sobra? (rs)

Ou seja, simplesmente não sei o que fazer! Invento um monte de atividades, e o plano ideal de estudos, simplesmente para cumprir a tarefa designada? Ignoro a tarefa, fico “na miúda” e deixo por isso mesmo? Explico, novamente, à tutora que não vou fazer porque, no meu caso, não faz o menor sentido, ainda que considere o exercício extremamente válido para quem, de fato, tem a vida atribulada e poderá se beneficiar com esse estudo? E o que ela vai achar dessa minha nova inserção: que eu estou sendo franca ou simplesmente insubordinada?

Como diz o velho ditado, acho que eu estou num mato sem cachorro! ;-)

Opiniões: as minhas, as suas, as deles...



Minha relação com a arte sempre foi a de uma leitora leiga (posto que a arte é uma linguagem). Nunca tive uma educação formal nessa disciplina, ou algo que se assemelhasse a isso, exceto pelas aulas de Educação Artística do ensino básico. E nenhum dos professores que tive chegou a sequer cogitar um trabalho mais embasado: jamais levaram os alunos a campo - museu ou galeria de arte - nunca trouxeram à baila discussões teóricas sobre as diversas manifestações artísticas, enfim, as aulas nunca saíram do lugar-comum: produção de trabalhos manuais (colagens, cartazes, dobraduras, etc.).

Portanto, o pouco que sei sobre a História da Arte, foi adquirido por meio de um auto-didatismo impulsionado por essa minha incessante sede de conhecimento, de informação e instrução. Nunca fui conformista, por isso, jamais aceitei passivamente apenas o conhecimento que me era transferido na escola, se eu achasse que não era o suficiente, e queria mais informações, corria atrás, e é assim até hoje. Como me disse certa vez um professor, eu sou auto-propelida, não é necessário que me dêem corda! (rs)

Nesse início do curso de Licenciatura em Artes Visuais, os tutores têm nos apresentado diversos questionamentos desencadeadores de reflexão e isso, na maioria das vezes, tem sido bastante gratificante. Nessa semana (de 26/11 a 01/12), por exemplo, temos de fazer um resumo sobre o texto “Isto é arte?” de Fernando A. Azevedo. O texto é interessantíssimo: trata-se de uma reflexão sobre Arte Contemporânea e sobre o papel do Arte-Educador nos dias de hoje.

Pois bem, o texto conta com as impressões de diversos pensadores, brasileiros e estrangeiros: Ernest Gombrich, Celso Favaretto, Umberto Eco, Octavio Ianni, Benedito Nunes, Jorge Coli e Marilena Chauí, para citar alguns. Qual não foi a minha surpresa – e deleite – ao perceber que, muitos de seus conceitos acerca da Arte, da Arte-Educação e do papel do Arte-Educador, coincidem com os meus! Is

Quero destacar alguns trechos do texto e comentar essas coincidências:

“(...) Ernest Gombrich nos desafia a pensar a Arte Contemporânea afirmando: Uma coisa que realmente não existe é aquilo que chamamos de Arte. Existem somente artistas. (...) tal palavra pode significar coisas muito diferentes, em tempos e lugares diferentes, e que Arte com “A” maiúsculo não existe”.

Eu já expressei essa minha opinião no blog numa postagem anterior (Quem disse isso?). Realmente, sob a minha ótica, não vejo o que difere, por exemplo, uma produção artística popular exposta em praça pública, de outra exposta numa galeria: a arte está presente numa infinidade de manifestações, desde as eruditas (as obras que foram unanimemente aceitas como tal há muito tempo) até as cotidianas, a arte que vemos nas ruas, nos meios de comunicação, etc. Não é a celebridade do artista que torna a sua obra mais válida do que a produzida por um anônimo.

Vejamos, agora, o que pensa Celso Favaretto, sobre isso:

“(...) De acordo com Celso, é evidente que a arte está no outdoor que vemos nas ruas, na arquitetura dos prédios e casarios das cidades, nas vitrines, nos programas de TV, nos jornais e revistas, nos monumentos, na internet, nas igrejas, nos templos, nos terreiros, nas praças, no vídeo-clipe, na moda, na propaganda, no cinema e em mais uma infinidade de outras produções humanas que povoam a nossa vida cotidiana”.

Sobre o papel do Arte-Educador, Fernando Azevedo, baseado no pensamento de Jorge Coli, afirma:

“(...) Buscar variadas interpretações para a arte de nosso tempo e de outros tempos é, pois, o desafio do arte-educador contemporâneo. Ele não é mais aquele que enfeita as festas da escola, embora possa até elaborar importantes celebrações; ele não é mais o mágico das técnicas: a cada nova aula, uma nova receita de como fazer um artefato artístico qualquer; ele também não é mais o dinamizador de um grupo que, pelo processo de catarse, destaca os talentosos. Ele não pode mais ser, como aponta Jorge no trecho citado acima, aquele que trata do espontâneo na mediação entre a arte e a educação das novas gerações”.

Bem, está claro para mim que o papel tradicional do Arte-Educador não é o de “decorador” da escola ou de seguidor de “receitas de bolo”. Posto que a arte permeia muitos outras áreas do saber, é imperativo que a disciplina tenha tanto crédito quanto outras da área de Exatas, Humanas ou Biológicas, o que realmente não acontece na prática. Porém, para que alcance esse status, é preciso elevar o nível de qualidade da formação do arte-educador e, mais ainda, que ele tenha uma posta não-conformista e quebre os paradigmas correntes sobre a Arte-Educação no Brasil.

Adicionalmente, é necessário que, efetivamente, os alunos tenham acesso à Arte-Educação sem preconceitos. É necessário abolir a abominável postura de certos professores que, por julgarem seus alunos incapazes de assimilar certos conteúdos por conta de uma origem humilde, por exemplo. É o que Ana Mae Barbosa defende, no trecho a seguir:

“(...) Segundo Ana Mae, para que isso aconteça é necessário que o arte-educador não crie guetos culturais, nem exclua a cultura erudita (hegemônica) do ensino das classes populares, pois: ‘todas as classes têm o direito de acesso aos códigos da cultura erudita porque esses são os códigos dominantes – os códigos do poder. É necessário conhecê-los, ser versado neles, mas tais códigos continuarão a ser um conhecimento exterior a não ser que o indivíduo tenha dominado as referências culturais da própria classe social, a porta de entrada para assimilação do ‘outro’. A mobilidade social depende da inter-relação entre os códigos culturais das diferentes classes sociais’”.

E isso vale não apenas para a Arte-Educação, é claro, mas para o ensino público em geral. Compreendo que muitos profissionais se sintam desvalorizados, estressados e, portanto, desestimulados a perseguir os ideais de uma educação de melhor qualidade. Afinal, são muitos os problemas: salas de aula abarrotadas, escolas mal equipadas, alunos que carregam deficiências importantes de aprendizado desde o 1º ano do ensino fundamental, salários baixos, falta de segurança em face da violência galopante que assola esse país, etc. Porém, nenhum desses problemas será resolvido a partir da adoção, pelos professores, de uma postura indiferente diante da formação de seus alunos. “Tanto faz, como tanto fez” não é a solução, ao contrário, é parte do problema.

Enquanto não houver uma revolução na Educação, que passa, entre outros fatores, pela adoção de políticas públicas condizentes, o governo continuará gastando cinco vezes mais com a segurança pública, sem resultados satisfatórios.

Depois, as pessoas ainda polemizam a adoção de cotas raciais para o ingresso no ensino superior! Os detratores da iniciativa justificam que as cotas se propõem a criar oportunidades quando, na verdade, causam ainda mais discriminação. Gente, vamos sair da retórica, pelo amor de Deus! É óbvio que um país com tamanhas diferenças sociais como o nosso precisa de tais dispositivos, a fim de que essas diferenças pelo menos comecem a ser amenizadas.

Outro exemplo: se não houvesse leis que obrigam as empresas a contratar um determinado percentual de portadores de deficiências, elas o fariam espontaneamente? A resposta é um sonoro NÃO! (Do contrário, as leis não teriam de ser criadas em não haveria multas para quem não as obedece, certo?).

Acho, inclusive, que deveria haver mais dispositivos como as leis de proteção a determinados grupos (especialmente minorias), sistemas de cotas na educação e no mercado de trabalho. Negros, mulheres, indígenas, pobres, homossexuais... enfim, excluídos não faltam, o que faltam são as oportunidades para que os brasileiros - independentemente de sexo, raça, classe social, idade, orientação sexual, etc. - possam exercer plenamente sua cidadania.

Respeito à diversidade não pode continuar sendo apenas um slogan politicamente correto: tem de ser uma realidade no Brasil.

sábado, 24 de novembro de 2007

DB - Perguntas desencadeadoras de reflexão




Nessa etapa, estou focando no meu vínculo com o curso de Licenciatura em Artes, procurando projetar aqui as experiências expressivas e criativas que desejo desenvolver neste curso e em como eu espero contribuir profissionalmente após a sua conclusão. Foram colocadas para os cursistas algumas perguntas desencadeadoras de reflexão, as quais eu respondo abaixo:

1. Quais são suas expectativas de aprendizagem e de formação profissional nesse curso que se inicia?


São grandes as minhas expectativas, tanto pessoais quanto profissionais, em relação a esse curso. Adoro a Arte em todas as suas expressões. Não sou uma artista, é bem verdade, mas uma apreciadora das Artes: sou cinéfila, ávida leitora e não posso viver sem música (em casa, temos mais de 300 CDs!). Meu gosto é eclético, tanto para a leitura quanto para a música e o cinema. Também sou o que se chama de uma “moça prendada” (rs) e adoro trabalhar com artesanato, já fiz várias coisas nesse sentido, mas, já há alguns anos, não tenho me dedicado ao trabalho manual.


Porém, o meu maior objetivo quando prestei o vestibular para Licenciatura em Artes Visuais foi profissional. Este é o primeiro passo para uma virada profissional na minha vida: quero ser uma Arte-educadora!

Trabalhei durante anos como secretária executiva trilíngüe e, mais recentemente, atuava na área de coordenação de eventos e projetos na área de Responsabilidade Social Empresarial de uma grande distribuidora de energia elétrica. Porém, ao perder o emprego no final de 2005, as coisas ficaram bem complicadas para mim. Todos sabemos que, infelizmente, o empresariado brasileiro não valoriza o conhecimento e a experiência de vida dos profissionais mais maduros. Aos 42 anos, sinto essa realidade como uma navalha na carne. É como se eu tivesse atravessado um portal e, de um perfil de alta empregabilidade, passei a receber outros rótulos, bem menos lisonjeiros.

Decidi, então, não mais apostar todas as minhas fichas na iniciativa privada e tentar uma nova profissão. Não creio que seja tarde, aliás, nunca é tarde para se tentar o que quer que seja, desde que tenhamos força e determinação.



2. Procure expressar aqui quais são os seus ideais, o que você deseja fazer, aprender, como você deseja se desenvolver dentro do curso.


Apesar de ter como principal objetivo a formação profissional, essa graduação não significa, para mim, apenas um canudo de papel ao fim de 4 anos. Quero muito mais do que isso! Quero fazer a melhor graduação possível, aproveitar ao máximo toda a transferência de conhecimento que meus professores se dispuserem a fazer e ir além: buscar todas as outras fontes do saber que estiverem ao meu alcance, pois quero me tornar uma Educadora de excelência, capaz de fazer a diferença para meus futuros alunos. Afinal, pensar grande e pensar pequeno leva o mesmo tempo...



3. Reflita sobre o que o levou a estudar no curso de Licenciatura em Artes a distância.


Na verdade, já acompanho a EaD faz algum tempo. A primeira vez que pensei em ingressar num curso nessa modalidade foi quando o MIT resolveu disponibilizar ao público o conteúdo de seus cursos superiores, entretanto, não havia um acompanhamento ou mesmo uma troca de idéias com professores ou outros alunos, além disso, não implicava certificado de conclusão do curso, e isso me desestimulou.

O que me levou a prestar o vestibular para a UnB/UAB foi a oportunidade que se apresentou. Fiquei sabendo da implantação do pólo universitário logo depois de me mudar para Itapetininga e, dentre os cursos oferecidos (não só pela UnB, mas também pela UFSCAR) foi com o de Artes Visuais que mais me identifiquei.



4. Relate se você já parou para pensar sobre o que espera concretizar ao final do curso.


Sou muito comprometida com tudo aquilo que me proponho a fazer, além disso, fazer este curso está sendo um enorme prazer, pois sempre gostei de estudar. Devo muito disso a alguns mestres maravilhosos que passaram pela minha vida escolar: pessoas iluminadas, cuja vocação era inequívoca.

Gostaria dar a minha contribuição à sociedade me tornando uma profissional bem qualificada, e que eu possa ser uma referência para os meus futuros alunos, como alguns professores que tive se tornaram para mim.

Ser um bom educador vai muito além do domínio da disciplina. Tecnicidade é importante, mas não é o primordial. Na verdade, os bons educadores, além de dominarem sua área do conhecimento, prestam muita atenção ao processo de ensino-aprendizagem. Alunos são pessoas, com seus sentimentos, suas incertezas, seus altos e baixos, e é importante humanizar a educação. Se você está desconectado do contexto, da realidade vivida pelos seus alunos, está desconectado deles, não haverá troca, alunos e professor não falarão a mesma língua, e isso certamente causa uma importante fissura no processo da educação. Por isso, os aspectos pedagógicos e relacionais envolvidos na minha formação como educadora são muito importantes para mim.

Só a Educação será capaz de mudar a face deste país, tão desigual, e terei muito orgulho em fazer parte dessa revolução!


5. O que você espera ou deseja desenvolver depois do curso, em termos de projetos expressivos?


Ainda não tenho muito bem delineados os projetos que pretendo desenvolver após terminar o curso. A única certeza que tenho, nesse momento, é que não pretendo parar de estudar com a graduação, quero ainda fazer pós-graduação, mestrado e, quem sabe, até o doutorado. Tudo vai depender das oportunidades que se apresentarem.



6. Descreva projetos de longo ou médio prazo que já passaram pela sua cabeça.


No médio prazo, pretendo dar aulas de Arte, primeiro como professora eventual (ou substituta). Depois de formada, como professora efetiva. Os projetos de longo prazo ainda não estão nítidos para mim. Acho que terei de me aprofundar mais no curso para poder decidir o que posso fazer, em termos de projetos futuros.



7. Descreva que técnicas, métodos, mídias e linguagens mais chamaram a sua atenção e despertaram a sua criatividade.


Não tenho ainda subsídios para responder essa pergunta com segurança, porém, gosto muito das mídias digitais; gostaria de saber manipular programas de tratamento de imagens (Photoshop, Corel Draw, etc.), de aprender mais sobre técnicas de fotografia. Também me interessam a escultura e a pintura.


8. Com que pessoas você se identifica, com que obras e textos você se identifica ou te causam estranhamento? Por quê?


Eu me identifico muito com os artistas mais controversos, os que tomam atitudes polêmicas, como Salvador Dalí, Frida Kahlo, Pablo Picasso, Cazuza, Renato Russo, Cássia Eller. Causa-me estranhamento as obras não me tocam, os artistas que, na minha opinião, não têm expressividade (Andy Warhol, por exemplo). Também não me identifico com as correntes pictóricas clássicas (ex: Barroco, Realismo, Romantismo, etc.), apesar de admitir sua qualidade estética e reconhecer a técnica apurada com que as obras foram feitas, elas não me encantam. E arte, antes de mais nada, é encantamento.



9. Quais artistas você considera que ultrapassam ou ultrapassaram o seu próprio limite? Que padrões de pensamento você já superou durante a sua trajetória no curso?


Todos os artistas que apontei na resposta anterior, na minha opinião, ultrapassaram limites; tornaram-se formadores de opinião – embora fossem extremamente controversos (ou até por causa disso) – e brilhantes em suas épocas e áreas de atuação. Quando à superação de padrões de pensamento na trajetória do curso, creio que seja ainda muito cedo, terei de dar tempo ao tempo e avançar no curso para fazer essa reflexão.


8) Como foi o processo de questionamento e de quebra do padrão de pensamento que você trazia quando entrou no curso? Você chegou a expressar essa quebra na sua produção artística?


Bem, eu não produzo arte... ainda! Então, não posso opinar a respeito. Porém, houve uma quebra de padrão de pensamento com relação ao EaD. Como até então eu só havia ingressado em cursos presenciais, não tinha muita idéia de como seria e, realmente, minha visão sobre o assunto mudou bastante. Não imaginei que seria tão dinâmico e, especialmente, que exigisse tanto do aluno, mas, vejo isso de forma positiva, pois gosto de desafios e sinto-me estimulada intelectualmente pelas propostas apresentadas até aqui.

Estágio probatório para professores do ensino público

Como será que anda a qualidade da formação dos professores da rede pública? Infelizmente, muito ruim. Aqui em Itapê, que já foi muito conhecida como “a cidade dos professores”, por ter abrigado o 1º curso de Magistério do Estado de São Paulo, tenho vários amigos que lecionam na rede pública, tanto estadual quanto municipal. Vou falar a verdade: são todos muito queridos, porém, amigos ou não, analisando friamente, a maioria não está nem de longe preparada para dar aulas.

Eles não têm preparo e nem motivação para aprimorar seus conhecimentos. Uma achou que Jean Piaget fosse um escritor da literatura brasileira. Outro não sabia onde se localiza a Oceania. Pobres alunos... E o que dizer dos professores que não dominam a norma culta da língua? Deplorável, para dizer o mínimo! Ou, pior: que, além de falarem errado e de não serem, portanto, capazes de corrigir os alunos, ensinam absurdos porque não têm coragem de admitir que não sabem a resposta para certos questionamentos? Por favor! Ninguém, inclusive professores, tem a obrigação de saber tudo, dominar todos os detalhes de sua disciplina, mas, ao invés de admitirem essa deficiência e de, obviamente, se comprometerem a pesquisar o assunto em questão e voltar para o aluno com a resposta correta, inventam respostas absurdas!

Vou colocar aqui uma pérola de uma professora substituta, numa aula de matemática para a 6ª série do Fundamental (quem me contou foi uma amiga que trabalha na secretaria dessa escola pública estadual): a professora disse aos alunos que “13” é um número mágico, divisível por “2” e o resultado dessa divisão – pasmem – é um número exato!

Outra professora, da mesma escola, enviou à minha amiga um bilhetinho, solicitando da secretaria: “folhas de papel ao masso”. Pelo amor de Deus!!!!

Assim, como é que se pode esperar que os alunos (especialmente os da rede pública de ensino) tenham uma boa formação, se as pessoas que foram escolhidas para ensiná-los não sabem o básico do básico? E, se não tiverem uma boa formação, como se colocarão num mercado tão competitivo, como o mercado de trabalho contemporâneo?

Outro absurdo: professores substitutos, ou eventuais, não têm de ter formação específica na disciplina para ministrarem as aulas. Isso mesmo! Você é formado em Letras, mas, pode ser chamado – geralmente às pressas – para dar aula de química, física, geografia, ou seja, professor com ênfase em Bombril - mil e uma utilidades!

A justificativa é que os alunos não podem ficar sem a aula, por conta de uma falta ou problema do professor titular, mas, não aprender, ou pior, aprender “abobrinhas”, pode?
Ontem (20/11), assistindo ao noticiário local da TV Tem (transmissora da rede Globo da nossa região), soube que, a partir de agora – antes tarde do que nunca – será adotado o “estágio probatório” para professores da rede pública de ensino. Será um período de experiência de 3 anos. Caso o professor não atinja as metas pré-estabelecidas durante esse processo, será exonerado. Caso preencha, será efetivado e só então contará com a estabilidade garantida pelo serviço público. Como dizem as minhas filhas: “DEMOROU”!

Sob o meu ponto de vista, muito do processo de educação depende do interesse do próprio aluno: de sua disposição de fugir do senso comum - desenvolvendo uma visão crítica - e de não se confinar a uma postura passiva de mero “receptáculo” do saber; porém, grande parte desse desenvolvimento depende essencialmente do professor, da qualidade de sua formação e de uma postura ética com relação ao seu papel na sociedade. Nem 15% das escolas estaduais possuem uma biblioteca... acesso à Internet, então, é coisa rara; então, a quem os alunos recorrerão para enriquecer seu aprendizado? Ao professor, evidentemente, pois, dentro da sala de aula, ele é uma referência para o aluno.

O Brasil não pode continuar a ser um “gigante deitado eternamente em berço esplêndido”: é um país de dimensões continentais, que conta com muitos recursos e enorme potencial, mas que não cresce e não se desenvolve na mesma velocidade que outros países pobres (ou em desenvolvimento, como preferem os politicamente corretos), principalmente porque os brasileiros não têm instrução. Sem educação, seremos sempre um povo facilmente manobrado, ludibriado, refém de elites e governantes corruptos. Sem educação não existe cidadania, não existe possibilidade de diminuição dos abismos sociais que separam os mais ricos dos mais pobres, que formam a maioria esmagadora da nossa população.

Porém, para não dizer que eu só falo mal, faço aqui uma homenagem e tiro o meu chapéu para professores que, a despeito das condições precárias da maioria das escolas, não desistem e fazem a diferença para os seus alunos. Andam quilômetros, navegam em barcas e pequenos botes, vão em cima de lombo de jegue, mas não abandonam seus alunos e mostram que têm uma vocação inequívoca para serem educadores. Não há verbas, não existem materiais didáticos ou de apoio, às vezes, sequer carteiras e quadro negro nas salas, mas eles estão lá, faça sol ou chuva, à espera das crianças que, sem o altruísmo desses educadores, estariam fadadas à condição de parias da sociedade, pois o analfabetismo subjuga e aliena as pessoas, tornando-as reféns da miséria.

Se uma pequena parcela dos recursos que são tão acintosamente desviados por políticos corruptos fosse destinada à educação, principalmente fora dos grandes centros, nosso IDH seria infinitamente melhor. Não tem fórmula mágica: povo desenvolvido é povo esclarecido.

Como já diz o velho ditado “se quiser algo bem-feito, faça você mesmo”, por isso, brasileiros, se nós não acordarmos, e não pusermos a “mão na massa” para mudar a realidade desse país, não será nenhum FMI ou ONU que o fará por nós!

Diagnóstico Contextual dos Estudos



Fomos convidados pela tutora de Estratégias de Ensino e Aprendizagem s Distância a relatar nossos hábitos de estudo, descrever o local onde estudamos, além de outras particularidades ligadas ao tema. Coloco aqui as respostas para algumas dessas reflexões:

I. Diagnóstico dos fatores externos ao estudo

1. Você tem um padrão na forma como você costuma estudar? Descreva em seu Diário de Bordo os elementos que freqüentemente são mais determinantes na sua disposição para o estudo. Tente reconhecer que fatores que o estimulam ou desestimulam mais no processo de estudo.
Sim, sigo um padrão na hora de estudar. Preciso de isolamento, de silêncio, de estar bem alimentada, de local apropriado (mesa, cadeira) com boa luminosidade e de abstrair problemas ou outros fatores que me desconcentrem. Quando estou desconcentrada, aliás, prefiro dar um tempo, pois a minha absorção, nessas condições, é nula. Todos os fatores expostos no modelo proposto influenciam o meu processo de aprendizagem. Entretanto, com maior ou menor impacto, por isso, eu os enumero abaixo, em ordem de importância:

1º) Emocionalidade (a oportunidade de fazer as coisas ao meu próprio modo);

2º) Ambiente imediato (local adequado, silêncio, boa luminosidade);

3º) Características fisiológicas (níveis de energia de acordo com a hora do dia, necessidade de comer);

4º) Preferências sociológicas (querendo variedade ao contrario de padrões e rotinas);

5º) Inclinações de processamento cognitivo.

II. Diagnóstico da organização do Espaço de Estudos

a) Que espaços da sua casa você costuma usar como seu ambiente de estudo? Eles são fixos ou são itinerantes?

Prefiro o escritório que montamos em casa, é uma sala retangular com um bom espaço, contígua ao meu quarto. Ainda não está muito organizado, pois precisamos de algumas prateleiras para melhor acomodar os livros. São aproximadamente uns 150 volumes: parte deles está em uma pequena prateleira improvisada, a maior parte está sob a mesa do PC, que tem alguns nichos e alguns – os menos utilizados – ainda estão em caixas. Aliás, não faltam caixas nesse espaço, pois, após a mudança, não tivemos onde colocar algumas coisas que trouxemos de São Paulo. Também precisamos de um armário vertical com pelo menos 2 portas e algumas prateleiras internas para organizar outros itens tais como: papelaria, documentos, etc.
Sobre a mesa estão: um aparelho de telefone, o monitor, a CPU, mouse, teclado e 2 porta- canetas. A cadeira é giratória e tenho uma pequena mesa de apoio ao lado, onde ponho os livros que estou utilizando no trabalho, caderno para anotações, dicionário, etc., pois não sobre espaço sobre a mesa do PC para colocar mais objetos ou escrever.

b) Eles são adaptados para as suas necessidades (silêncio, isolamento, luminosidade, mobília adequada, organização) ou é você que se adapta ao espaço que tem múltiplas funções (sofá da sala, mesa da cozinha, chão frio da varanda)?
Sim. O local é bem arejado, tem boa luminosidade natural (2 janelas), à noite utilizo uma luminária vertical. É silencioso e isolado do restante da casa, fica na parte superior do sobrado, onde existe apenas o nosso quarto, um banheiro, o escritório e uma varanda grande. Raramente, uso a mesa da cozinha, mais quando preciso escrever muito.
c) Que espaço da casa você pensa em escolher para ser o seu ambiente de estudo permanente? Você vai precisar fazer algumas modificações para organizar esse ambiente de acordo com as suas necessidades pessoais?

Pretendo continuar utilizando o escritório e fazer algumas melhorias apontadas na resposta do item A.

d) Desenhe em seu Diário de Bordo o mapa do seu local de estudos. Faça dois desenhos, o primeiro mostra como ele está atualmente. O segundo mostra como você precisa que ele seja, escreva ao lado como essas mudanças podem ajudá-lo a estudar melhor, exemplo: desligar o telefone ou o celular enquanto estuda, tirar a TV do quarto, colocar uma luminária de mesa etc.



Este é o layout atual do escritório que é o meu espaço fixo de estudos. Não fiz um segundo desenho do layout desejado porque, na verdade, o espaço já é adequado para a sua finalidade. Eu apenas gostaria de retirar as caixas e, em seu lugar, colocar algumas prateleiras e um armário vertical de 2 portas, para acondicionar o que está dentro dessas caixas. O resto fica como está.

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

Discussão sobre o PPP e o PCN




Estamos tendo uma discussão sobre o PPP - Projeto político-pedagógico do nosso curso. Além dele, estamos analisando um documento do MEC: Orientações Curriculares para o Ensino Médio (disponível em: http://www.mec.gov.br/).

Ambos são documentos interessantes, pois foram concebidos para contemplar todos os aspectos do ensino da arte no Brasil contemporâneo e da formação básica dos arte-educadores, que serão os responsáveis pela difusão e melhoria da qualidade do ensino de arte no país. Porém, guardadas as devidas proporções, quanto do exposto, em ambos os documentos, poderá ser realmente implementado, tal qual concebido teoricamente?

A grande maioria das escolas públicas está em condições deploráveis. Não há recursos, não há incentivo de parte alguma, muitas vezes, existe apenas o idealismo do educador, que passa por cima de todas as dificuldades, fazendo do nada o tudo, para manter uma escola em funcionamento. São escolas de lata, feitas de taipa, com paredes de isopor, e até sem paredes. Nessas condições, é factível a proposta do OCEM?

E quanto ao nosso currículo específico, de Licenciatura em Artes Visuais, a UnB/UAB conseguirá cumprir fielmente com as proposições feitas no PPP? Isso só será respondido no decorrer dos próximos 4 anos e, quanto ao ensino público, cada um de nós também terá uma resposta.

Saindo um pouco da discussão conceitual, e focando nos aspectos práticos, desde já, percebo que algumas coisas não estão acontecendo como o previsto no PPP: por exemplo, na página 8 (item 2.4.4. - Descrição do material do curso) menciona-se uma série de materiais e recursos muito interessantes. O trecho diz que “(...) um conjunto de materiais será remetido aos alunos por correio, com alguns dias de antecedência ao previsto para o início de cada módulo”. Esse conjunto seria composto, entre outras coisas, de:

Guia de estudo: orientações específicas para o estudo e as atividades do aluno no módulo;

Caderno de atividades do aluno: atividades, exercícios individuais e em grupo, especificando quais tarefas devem ser enviadas aos tutores para acompanhamento e avaliação;
CD-ROM com material adicional e facilidades de conexão.

Cadê? Nós, aqui de casa, não recebemos nada! E são materiais extremamente necessários, pois sinto que, às vezes, nós, alunos, ficamos meio perdidos nas atividades (prazos, forma de envio, etc.). Também não existe o tal “reminder de tarefas” a serem feitas, como mencionado no PPP (p. 10), ferramenta que facilitaria em muito o nosso acompanhamento de elaboração e entrega de tarefas, participação nos fóruns, etc.

O volume de trabalhos é muito grande, são três disciplinas distintas, cada uma com a sua demanda específica, portanto, é natural que fiquemos meio perdidos no meio de tanta informação. Outro fator que dificulta é o de ainda não estarmos totalmente familiarizados com a plataforma Moodle, pelo menos a maioria não está, pelos comentários que lemos nos fóruns. Eu mesma já falei aqui no meu Diário de Bordo do WIKI, que, se teoricamente é uma ferramenta ótima, na prática a sua interface é tudo, menos amigável! E olha que eu sou uma “fuçadora” de mão cheia - gosto de computadores e entendo de informática, mas, mesmo assim, muitas vezes apanho do Moodle. Imagino quem não tem muita intimidade com informática, então! Deve estar mais perdido que “cachorro em dia de mudança”... (rs).

Não quero ser a “chata de plantão”, só levantei esses pontos para demonstrar que, como dizem, “o papel aceita tudo”, ou seja: na teoria, a coisa funciona de um jeito e, na prática, a dinâmica é outra, por mais que se tenha boa-vontade, às vezes, o que era viável no planejamento não é factível na execução.

Claro que também existe um preço a se pagar pelo pioneirismo. A experiência de EaD é relativamente nova no Brasil, ainda está, por assim dizer, em estágio embrionário. Várias adequações terão de ser feitas e, quase sempre, é só no dia a dia que a necessidade de alterações de percurso se apresenta. É humanamente impossível se prever todas as variáveis porque elas são exatamente isso: variáveis. Fatores que escapam ao controle.

Por isso, não estou aqui apenas para criticar, até porque uma crítica nem sempre é algo desfavorável, como as pessoas tendem a encarar. Pode ser muito construtiva, também. Especialmente se não for uma crítica vazia.

Afinal de contas, eu estou aqui, cursando licenciatura em Artes Visuais na UnB, uma das melhores instituições de ensino superior do país, gratuitamente, algo que até a bem pouco tempo me parecia impossível. Por isso, eu aplaudo o projeto, com seus “prós e contras”, porque, se não é perfeito, a simples iniciativa de se fomentar a UAB já se constitui num passo gigantesco para a melhoria do ensino no Brasil.

Comentários sobre o meu Diário de Bordo


Decidi hospedar o meu DB fora do ambiente de aprendizagem da UAB/UnB. E fiz isso basicamente porque não me adaptei até agora ao WIKI, como comentei numa postagem anterior.

Discussões tecnológicas à parte, eu estou curtindo muito fazer o Diário de Bordo. Nele, além de alguns trabalhos acadêmicos, tenho postado várias coisas: entrevistas interessantes com as quais me deparo na WEB, minha visão sobre a Arte-educação e a profissão de Arte-educador, minhas expectativas e observações sobre o curso e a Universidade, alguns relatos em forma de crônica sobre assuntos que eu acho importantes - por exemplo: o uso do abominável “gerundismo” na nossa língua falada - minhas preferências artísticas, coisas do meu cotidiano, enfim, é um espaço bem democrático e um ótimo exercício, especialmente para quem gosta de escrever, como eu.

O espaço está em permanente construção, ainda não tem tudo o que eu gostaria que tivesse, mas, como ele será desenvolvido ao longo do curso, eu chego lá! J

Falando em “gerundismo”, acabei de concluir um trabalho proposto pela tutora de LPT (leitura e produção de textos). A proposta era de fazermos um anúncio divertido, focando alguma característica da Língua Portuguesa, mais ou menos como se fôssemos vender algum elemento dela. Os colegas deveriam, além de colocar seus anúncios, escolher algum postado por outro colega. Fugi um pouco à proposta e, ao invés de vender algo da LP, decidi fazer uma paródia. O meu anúncio ficou assim:

TELEMARKETING

Você quer estar conhecendo a mais revolucionária ferramenta para o atendente de telemarketing moderno? Então, você vai estar pedindo hoje mesmo o seu “Manual de Telemarketing da Professora Gerúndia”!

Com ele, você vai:



  • Estar aprendendo todas as técnicas para estar conseguindo um ótimo emprego que vai estar empregando milhares de pessoas nos próximos anos!!!

  • Estar vendendo mais, porque você vai estar irritando tanto que o cliente vai estar comprando só para estar parando de ouvir o seu script!!!

  • Estar conhecendo as maneiras de estar batendo suas metas todos os meses!!!




Brinde promocional: você vai estar levando inteiramente grátis um par de fones de ouvido e um microfone para computador para estar começando a trabalhar imediatamente!

Central de vendas: você pode estar telefonando para (XX) 2233-4455 e estar falando com um de nossos atendentes ou pode estar acessando o nosso site: http://www.profagerundia.com.br/

Assaltaram a gramática!




Meu Deus do céu! O que é que estão fazendo com a Língua Portuguesa? Gente, dá até medo...

Atualmente, percebe-se uma clara falta de preocupação generalizada em falar e escrever corretamente. Acho, também, que é uma solução muito simplista considerarmos isso um reflexo do fenômeno do “internetês”: essa aberração que reduziu o vocabulário, especialmente dos jovens, a um amontoado de erros de ortografia grotescos. Ah, façam-me o favor! O mesmo tempo que se leva para digitar “axo”, “bejo”, e outras pérolas do gênero, leva-se para digitar “acho”, “beijo”, e por aí vai...

Uma pequena vitória nesse campo: de tanto eu “pegar no pé” das minhas filhas por causa do internetês, a minha caçula, Vicky, voltou a escrever em português no MSN – agora, pelo menos, entendo o que ela está digitando! ;-)

E o famigerado “gerundismo” então? Porque falarmos “vamos estar passando a sua ligação para o setor tal” quando podemos simplesmente dizer: “um momento, passaremos a ligação”? É por isso que eu participo da comunidade “Vamos estar odiando o gerundismo”. Se eu pudesse, sozinha, erradicaria essa outra aberração da nossa língua... Mas, como isso é impossível, faço a minha parte, me abstendo completamente desse desvario gramatical! Ah! Recentemente, teve até um prefeito, não me recordo o município, que baixou um decreto proibindo o gerúndio. Coitado do gerúndio, ele lá tem culpa da má – aliás - péssima utilização que fazem dele? Aliás, como é que se pode proibir um tempo verbal? O Prefeito errou na mão, mas, se ele reformular esse Decreto e resolver acabar com o “gerundismo” na prefeitura, eu também apóio! (rs)

É exatamente por causa do desleixo com o nosso idioma que vemos os resultados sofríveis de alunos no ENEM, ENAD, e outras ferramentas utilizadas na avaliação dos conhecimentos dos alunos do ensino básico e superior. Alunos do 3º ano do Ensino Médio são incapazes de fazer uma redação com 10 linhas, por exemplo. Como é que um aluno chega a esse ponto como um analfabeto funcional? Por quantos professores esse alunou não passou, durante a sua vida escolar? Ninguém percebeu que ele não tinha condições de avançar até ali, ninguém identificou sua formação deficitária? Ou, simplesmente, é mais cômodo promover um aluno de uma série para a outra, sem que haja condições mínimas para tanto?

Isso só é engraçado quando o Jô lê as “pérolas do ENEM” no seu programa. A realidade é bem outra, é trágica: brasileiros que não falam português, que não sabem se expressar, que saem das escolas como entraram, ou seja, com pouco ou nenhum conhecimento.

Podem me chamar de chata, mas eu não abro mão de meus dicionários, meus manuais de redação, do corretor ortográfico que qualquer editor de texto possui, dos glossários e enciclopédias online. Tudo isso está disponível, basta procurar, basta ter interesse, pois, onde há vontade, há meios. Morro de medo de dar uma “gafe”, de “pagar o mico” escrevendo um absurdo, que outras pessoas – colegas, professores e, no caso do blog, outros internautas – lerão. E, vou mais adiante ainda: eu não poderia ter outra postura, já que me propus a fazer um curso de licenciatura.

Na minha opinião, a Língua Portuguesa foi o mais importante legado dos colonizadores. Invadiram nosso país - jamais concordei com o termo “descobrimento” - saquearam-nos tudo o quanto foi possível e por tanto tempo quanto conseguiram, porém, deixaram-nos como herança essa língua: rica, completa, melódica, misteriosa, complexa, totalmente imprevisível e, por isso mesmo, tão fascinante.

Se eu pudesse, lhe faria uma declaração de amor, porém, deixo isso a cargo de gênios como Clarice Lispector, Machado de Assis, Caetano Veloso, Cazuza, Renato Russo, e tantos outros poetas e mestres da literatura, que a souberam usar com tanta maestria.

Como não estou a altura dessas mentes brilhantes, tomo emprestadas suas declarações de amor pelo idioma. Como a de Pablo Neruda, que soube expressar de forma tão maravilhosa aquilo que eu, particularmente, sinto sobre o legado que nos foi deixado pelos conquistadores. Neruda se referia ao próprio idioma, no contexto da colonização da América Espanhola, porém, sua narrativa poderia perfeitamente descrever a nossa história e da chegada da Língua Portuguesa à nossa pátria.

A palavra

...Sim, senhor, tudo o que queira, mas são as palavras as que cantam, as que sobem e baixam... Prosterno-me diante delas... Amo-as, uno-me a elas, persigo-as, mordo-as, derreto-as... Amo tanto as palavras... As inesperadas... As que avidamente a gente espera, espreita até que de repente caem... Vocábulos amados... Brilham como pedras coloridas, saltam como peixes de prata, são espuma, fio, metal, orvalho... Persigo algumas palavras... São tão belas que quero colocá-las todas em meu poema... Agarro-as no vôo, quando vão zumbindo, e capturo-as, limpo-as, aparo-as, preparo-me diante do prato, sinto-as cristalinas, vibrantes, ebúrneas, vegetais, oleosas, como frutas, como algas, como ágatas, como azeitonas... E então as revolvo, agito-as, bebo-as, sugo-as, trituro-as, adorno-as, liberto-as... Deixo-as como estalactites em meu poema, como pedacinhos de pedra polida, como carvão, como restos de um naufrágio, presentes da onda... Tudo está na palavra... Uma idéia inteira muda porque uma palavra mudou de lugar ou porque outra se sentou como uma rainha dentro de uma frase que não a esperava e que a obedeceu... Têm sombra, transparência, peso, pluma, pêlos, têm tudo o que se lhes foi agregando de tanto vagar pelo rio, de tanto transmigrar de pátria, de tanto ser raízes... São antiqüíssimas e recentíssimas. Vivem no féretro escondido e na flor apenas desabrochada... Que bom idioma o meu, que boa língua herdamos dos conquistadores torvos... Estes andavam a passos largos pelas tremendas cordilheiras, pelas Américas encrespadas, buscando batatas, butifarras, feijõezinhos, tabaco negro, ouro, milho, ovos, frutos, com aquele apetite voraz que nunca mais se viu no mundo... Tragavam tudo: religiões, pirâmides, tribos, idolatrias iguais às que eles traziam em suas grandes bolsas... Por onde passavam a terra ficava arrasada... Mas caiam das botas dos bárbaros, das barbas, dos elmos, das ferraduras, como pedrinhas, as palavras luminosas que permanecem aqui resplandecentes... o idioma. Saímos perdendo... Saímos ganhando... Levaram o ouro e nos deixaram o ouro... Levaram tudo... e nos deixaram tudo... Deixaram-nos as palavras.


Neruda falou e disse! ;-)

Carta de Navegação: meus mares na Net



ENTREVISTA COM ROSA IAVELBERG


Já falei aqui sobre o site Aguarrás. Sempre que posso, dou uma navegada nele, pois algumas matérias são muito interessantes. Além do mais, navegar é preciso!

A seguir, transcrevo na íntegra uma entrevista feita pelo site com a Profª. Drª. Rosa Iavelberg, uma das autoras dos PCN (Parâmetros Curriculares Nacionais) na área de Artes e diretora do Centro Universitário Mariantônia, da USP (Universidade de São Paulo).
A Profª Rosa é também coordenadora do Curso de Especialização em Linguagens das Artes, na mesma instituição. Concedeu esta entrevista por ocasião do lançamento de seu livro mais recente, “O desenho cultivado na Infância” (Zouk Editora). É, ainda, autora de mais dois livros, bibliografias de referência na área de Arte-Educação:

- “Ensino de Arte” (Thomson Pioneira, 2006), escrito em parceria com a Profª. Luciana Mourão Arslan.

- “Para gostar de aprender arte” (Artmed, 2003).
A entrevista é longa, mas vale a pena lê-la, especialmente para os futuros licenciados em Artes.
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1. Profª. Rosa, como você avalia a atual situação do ensino de arte nas escolas brasileiras?
O quadro é diversificado. Temos projetos com qualidade, mas um número expressivo de escolas da rede pública e privada não desenvolve trabalhos adequados à aprendizagem em arte e não promove a formação cultural.

2. Qual seria, na sua visão, o ideal do ensino de arte nas escolas?
Creio que as equipes de professores e profissionais das escolas e secretarias deveriam ter autonomia para concretizar, em paradigmas contemporâneos, o desenho curricular e a orientação dos professores, com abertura a avaliadores internos e externos para acompanhar as práticas em seus resultados de aprendizagem.
Os aspectos importantes são: a formação dos professores para ensinar arte, programas de acessibilidade aos bens artísticos e culturais, com provisão de meios para acessá-los e, principalmente, a inclusão de arte como área de conhecimento na escola, como forma imprescindível à educação das crianças e jovens.
Além disto, toda ação educativa precisa ser concebida em redes institucionais envolvendo escolas, secretarias de educação e cultura, organizações não-governamentais, universidades, instituições culturais, bibliotecas, associações representativas dos profissionais da arte e da educação. Um sonho assim vale a pena e certamente nos ensinará sobre a diversidade nos espaços escolares.

3. Levando-se em consideração sua visão sobre a importância da arte da vida das pessoas, qual o prejuízo em um ensino de arte feito por pessoas consideradas não capacitadas adequadamente para isso?
O tempo didático costuma ser curto nas escolas brasileiras, se neste tempo não se oferece oportunidade de aprendizagem aos alunos, por falta de profissionais preparados, priva-se o aluno de participação sócio-cultural informada e de ações criativas, nas quais, sua subjetividade dialoga com as produções de pares e artistas em diferentes linguagens artísticas. Além disto, a precariedade das escolhas teóricas nas escolas e as orientações didáticas equivocadas podem imprimir uma visão deformada de arte, afeita a práticas sociais sem qualidade artística e estética.

4. O que deve ser entendido como “arte” na expressão “arte-educação” e por que há uma crítica negativa, dos profissionais da área, em relação à denominação “Educação Artística” para o ensino de arte nas escolas?
A terminologia arte-educação refletiu um avanço conceitual na área de Arte porque incluiu as culturas como conteúdo das aulas e a produção artística como forma contextualizada, deste modo abriu-se espaço para que a diversidade da produção artística de qualidade pudesse ser aprendida nas escolas, aproximando o que se aprende do trabalho dos artistas, críticos, historiadores de arte, agentes culturais.
Na seqüência passou-se a usar Ensino da Arte, sem medo de caracterizar ensino nos moldes da escola tradicional, mas compreendendo a necessidade de um ensino regulado pela aprendizagem, por outras palavras, pelo diálogo entre ensino e aprendizagem, porque na didática contemporânea, com foco na aprendizagem, observam-se as transformações dos níveis de saber e dos modos de aprender de sujeitos singulares (subjetividades diferenciadas), além de reconhecer as mudanças estruturais dos níveis de conhecimento em cada área de conhecimento ou linguagem específica em sua gênese.

5. Qual a importância da arte para a formação das pessoas?
Arte humaniza a formação porque garante às pessoas espaço para interações cuja principal finalidade é o valor simbólico da interlocução intersubjetiva. É possível, por intermédio da arte, colocar-se no mundo de modo autoral, não submisso, percorrendo tempos e espaços variados, gerando modos de conhecer e compreender a vida e a criação, articulando cognição, valores, ação criativa com construção de significados e ainda, percepção e atribuição de qualidades com sensibilidade.

6. Quem pode ser considerado um arte-educador?
Compreendo o arte–educador como um profissional que tem como finalidade ensinar arte com diversos objetivos. Se atua em educação escolar seus objetivos serão diferentes dos arte-educadores que trabalham em projetos sociais, instituições de saúde, presídios, centros de reabilitação. Todos educam e promovem aprendizagens, mas os propósitos sociais e educacionais se diferenciam em cada caso gerando organizações didáticas distintas.

7. Qual a formação que um arte-educador deve ter?
A formação deve perpassar no mínimo: saber sobre arte e saber sobre aprendizagem em arte. Se os modos de aprendizagem implicam em desenvolvimento de percurso de criação em arte do aluno, é necessário que o educador tenha experiência em processo de criação pessoal. Aprender para saber dar aula é um conteúdo procedimental pouco considerado na formação inicial. Responder sobre formação em algumas linhas é impossível. Mas sem dúvida os âmbitos cultural, educacional e gerencial previstos por Antonio Nóvoa tem encaixe perfeito na formação do arte-educador.

8. Como se dá esta formação?
Não se tem uma unidade nas propostas formativas. Somente uma análise de currículos e programas dos centros formativos do país, atualizada e não tendenciosa, poderia elucidar esta pergunta.

9. A LDB (Lei de Diretrizes e Bases) proíbe o ensino de arte nas escolas por pessoas que não tenham formação específica nesta área?
A LDB prevê que o ensino da arte seja ministrado por profissionais com formação específica, entretanto, na prática ainda não se tem número suficiente de professores com habilitação. Existe abertura na resolução de atribuição de aulas para preencher as vagas com professores de outras áreas para que o aluno não fique sem aulas de arte. Tal fato não colabora para o ensino da arte.
10. Como avalia a formação dos arte-educadores no Brasil? Considera que, na maioria, estejam bem preparados para lecionar arte?
Creio que falta aperfeiçoamento da formação inicial e continuada, apesar de muitos esforços já realizados, a maioria dos profissionais que atuam nas escolas requer mais preparo e atualização nos conteúdos ligados à própria arte, na concepção de currículo e nas modalidades da didática contemporânea com foco na aprendizagem.

11. Em que aspectos seu livro “Ensino de Arte” (THOMSON PIONEIRA) contribui para a formação do arte-educador?
Trata-se de um livro que compõe a Coleção Idéias em Ação projetada pela professora Anna Maria Pessoa de Carvalho da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo, voltada para as diversas áreas de conhecimento. A coleção é orientada principalmente para o Ensino Fundamental, no livro parte-se dos fundamentos e ações desenvolvidas na formação continuada realizada pelos professores da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo, por intermédio de sua Fundação de Apoio, junto a secretarias estaduais e municipais de educação. A socialização desta experiência visou trazer para professores que atuam em sala de aula e professores em formação bases teóricas, propostas práticas e indicações de fontes de informação.
Neste livro, que escrevi com Luciana Mourão Arslan, orientado às artes visuais, o arte-educador poderá refletir sobre o ensino de arte na contemporaneidade, percorrendo aspectos como a leitura de imagens, as visitas a instituições de arte, orientações para o fazer artístico e subsídios para avaliar em arte, tarefa complexa que requer conhecimento e sensibilidade. Por fim, o livro reúne relatos de práticas seguidos de reflexão que almejam colaborar na formação do professor.
Entrevista concedida em 4/5/2007, disponível na editoria de arte-educação do site Aguarrás (http://www.aguarras.com.br/)
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Agenda:

O Centro Universitário Mariantônia fica na Rua Maria Antonia, 294 – Vila Buarque. São Paulo/SP. Tel.: (11) 3237-1815 / www.usp.br/mariantonia



segunda-feira, 19 de novembro de 2007

WIKI, civilidade y otras cositas más...


WIKI é uma ferramenta que possibilita a elaboração de textos em conjunto – ou a inserção de outros códigos, tais como imagens, filmes, sons, etc. Teoricamente, esta é uma ferramenta democratizadora do conhecimento: um banco de dados que pode – e deve – ser enriquecido com diferentes visões pessoais, material de pesquisa, inserção de comentários, etc., do grupo que participa da sua elaboração. Um bom exemplo dessa ferramenta e de sua importância é a Wikipédia – uma enciclopédia aberta, disponível na Internet para qualquer internauta consultar e/ou editar, gratuitamente (http://www.wikipedia.org/). A Encliclopédia também está disponível em vários idiomas.

Pois bem, dentro do ambiente Moodle, que é a plataforma utilizada pela UAB para viabilizar o ensino à distância, temos a ferramenta WIKI. Bacana, não é? Seria, sim, se a sua interface e conseqüente utilização fossem mais amigáveis. Mas, não são! Os tutores tiveram muito boa-vontade, abriram fóruns para tirar dúvidas, disponibilizaram um tutorial, etc., mas, mesmo assim, continuo achando a interface ruim e a utilização muito truncada. Tudo bem: sigo o passo-a-passo e consigo até publicar alguma coisa, mas, depois, tento visualizar o texto como um todo, interagir com os colegas que postaram, mas, não consigo! Foi exatamente por isso que optei fazer o meu Diário de Bordo em formato de blog, porque, nessa plataforma, a interface é mais amigável; ela me possibilita, postar, verificar, editar, reeditar, excluir, inserir imagens e outros objetos, dar a formatação e a aparência que desejar, enfim, minha experiência, trabalhando com essa ferramenta, é muito mais prazerosa.

Resolvi o meu problema, porém, não estou participando das discussões no WIKI, nem expondo os meus pontos de vista, minhas pesquisas, meus trabalhos acadêmicos, etc., e foi para isso que o WIKI foi inserido no nosso ambiente de aprendizagem virtual. Felizmente, nem tudo está perdido, pois temos os fóruns, que possibilitam essa interação.

Outro problema que identifico na ferramenta: a sua vulnerabilidade ao vandalismo. Esse problema, porém, não se aplica ao nosso WIKI, pois está dentro de um ambiente moderado. O vandalismo não se restringe ao mundo real, aliás, o mundo virtual reproduz, com fidelidade, muitas das práticas abomináveis do mundo real: o roubo, para citar apenas uma delas. Por isso, o vandalismo existe, sim, no mundo virtual e especialmente pode ser cometido numa plataforma maleável, flexível, como o WIKI. Vou dar um exemplo que aconteceu comigo:

Quando estava pesquisando dados biográficos sobre os meus artistas preferidos, acessei a página da Wikipédia (http://pt.wikipedia.org/wiki/Pablo_Picasso) com a biografia de Pablo Picasso. Veja só o que estava lá:

“Pablo Ruiz Picasso (Málaga, 25 de Outubro, 1881 — Mougins, 8 de Abril, 1973) foi o maior paneleiro de sempre da Arte do século XX. É considerado um dos gays mais famosos e versáteis de todo o mundo, tendo criado milhares paneleiros em todo o mundo, não somente travestiss mas também gays pequeninos (como o teixeirinhas e telmo, usando, enfim, todos os tipos de materiais. Ele também é conhecido como sendo o co-fundador do Cubismo, junto com Georges Braque. Diz-se que levou toda a sua vida a saber pintar como uma criança. (A criança expressa-se pela necessidade que tem de se expressar e pelo prazer que isso lhe dá; tal como respira porque tem necessidade, sem que alguém se preocupe em fazer qualquer juízo sobre isso.)”.
(...)

Bem, se eu não tivesse um pingo de discernimento e, também, se não soubesse o que a palavra “paneleiro” significa em Portugal (termo pejorativo que se iguala ao nosso termo “viado” - com “i” mesmo, pois não se trata do animal), poderia muito bem ter utilizado essa informação no meu trabalho acadêmico. E que belo “mico” isso teria sido! (rs)

Essa página foi claramente vandalizada. Digo isso com certeza, porque as demais informações eram sérias e a redação não continha erros grosseiros, tais como “travestis” com 2 letras “S” no final. Fora isso, percebe-se também que a informação desse parágrafo inicial não tem a menor coerência. E, por “informações sérias”, não quero dizer que Picasso não fosse gay, bissexual, ou coisa que o valha – não sei nada sobre a sua orientação sexual - mas sei que, certamente, tal informação não seria passada dessa maneira em uma enciclopédia. Não retornei ao link, por isso, não posso dizer se a página foi alterada ou não, mas fiz questão de guardar esse trecho no meu computador, porque achei o cúmulo da desfaçatez!

Portanto, democracia é bom, mas é necessário que as pessoas saibam lidar com ela. É preciso ter uma postura ética para se viver em sociedade. É preciso civilidade para freqüentar uma biblioteca pública, por exemplo, para que os livros sejam manuseados e não destruídos: não vale arrancar página, riscar, fazer anotações, usar marca-texto, deixar as páginas amassadas ou com “orelhas”, etc.; é preciso respeito para que os nossos monumentos não sejam pichados, enfim, é preciso ser cidadão e entender que o “público” não é algo que não tem dono, muito pelo contrário: é algo que pertence a todos nós e, por isso, deve ser preservado. Até porque tudo custa dinheiro e de quem será que esse dinheiro sai? De alguma árvore ou dos impostos que pagamos?

Vamos cair na real, gente!

Mas, quem disse isso?

Durante o feriado da República, tive uma discussão muito bacana sobre Arte, com a minha filha mais velha, a Raphaela. Rapha é aluna do 2º ano do curso de Design da Faculdade SENAC-SP.
Ela é super talentosa e não é "papo de mãe", não... podem conferir: tem alguns de seus trabalhos num portfolio virutal, hospedado em www.flickr.com/photos/raphaelasimon. :-)
Nossos cursos têm várias similaridades, porém, o meu é mais generalista e o dela, mais especificamente voltado à área de design multimídia.

Pois bem, ela me contou que, durante uma aula, colocou sua posição pessoal sobre o que considera Arte, tomando como exemplo Embu das Artes, município próximo à São Paulo (Capital), famoso por seus antiquários e sua feira permanente (mas freqüentada principalmente aos domingos) que expõe e comercializa pinturas, esculturas, objetos, artesanato, etc.

Raphaela disse, à classe: “Gente, Embu é arte pura!” e, segundo suas próprias palavras, foi “zoada” pela classe inteira: “Ah, Rapha, pelo amor de Deus, desde quando aquilo é arte?”. Bom, então, eu faço minhas as palavras da minha filha: “E quem disse que não é?”

- Quem convenciona o que é arte e o que não é?
- E de que forma isso é feito?
- Quais são os critérios adotados?

Eu, por exemplo, questiono o status de arte dado a vários trabalhos com os quais já tive contato (real ou virtual). Vou usar uma referência recente para ilustrar isso: foi aberta uma exposição de trabalhos de Yoko Ono. A mostra ficará no Centro Cultural Banco do Brasil, em São Paulo, até o dia 03 de fevereiro de 2008.

A exposição conta com uma célebre obra (da foto), denominada Ceiling painting (pintura no teto), que fez com que o Beatle John Lennon, de quem Yoko é viúva, se encantasse pela artista, em 1966. Trata-se de uma instalação que conta com uma escada e uma lupa. Para interagir com ela, o expectador sobe a escada, pega a lupa e lê, pintada no teto em letra minúscula, a palavra “yes” (sim).

Tudo bem... é uma forma de expressão. A instalação pode ser considerada como um veículo para a transmissão de uma mensagem otimista, etc e tal. Mas, é arte?

Ceiling painting – imagem disponível em: www.teiacultural.com.br/img/loop_capa/qui.jpg

Então, uma propaganda, um comercial de TV, também pode ser considerado uma obra de arte... ou não? Vejamos: é uma criação humana; depende de criatividade e técnica; utiliza vários suportes e linguagens (teatro, música, efeitos áudio-visuais); pretende passar uma mensagem que, muitas vezes, não está ligada explicitamente à venda de produtos – caso das propagandas institucionais; até aqui, temos várias similaridades com os trabalhos que são considerados como arte, portanto, o que difere - exceto alguns meios e suportes utilizados - a propaganda da pintura, por exemplo? Ou de uma instalação, como a Ceiling painting?

Por falar nisso, eu adorei a propaganda do Axe Click! É genial. Os atores dão um show de interpretação, conseguem passar a mensagem sem um único diálogo, só com expressões faciais e linguagem corporal, mas dão perfeitamente o seu recado. Para se chegar a um resultado final tão bom, a tecnicidade e a sensibilidade de muitas pessoas estiveram envolvidas, cada um com seu conhecimento, dons ou habilidades. Se eu fosse a autora da idéia que deu origem ao comercial, com certeza me sentiria como um pintor que termina uma tela, ou um escultor que contempla sua obra pronta. Eu contemplaria a minha obra como uma artista! ;-)


Campanha Axe - mídia impressa, imagem disponível em: www.adwebfreak.wordpress.com

Para apimentar um pouco mais a discussão: e o artesanato? O que difere uma obra de arte de uma peça artesanal? Eu, por exemplo, fico fascinada com a riqueza de detalhes da Cerâmica Marajoara (típica do Estado do Pará). São peças maravilhosas, que dependem de muita criatividade, senso estético e técnica para serem confeccionadas. Não passam uma mensagem, certo, mas têm qualidade estética. Vou ser bem sincera: entre visitar a exposição da Yoko e uma outra, de Cerâmica Marajoara, eu fico com a segunda, sem pestanejar! (rs).

Cerâmica marajoara – imagem disponível em: http://www.losartesanos.com/

Para terminar essa postagem, mais uma provocação: se a Yoko Ono não fosse a viúva de John Lennon, e uma personagem folclórica por ter sido apontada como um dos principais pivôs da separação da banda, ela teria tanta notoriedade? Acho que não, pois, segundo o próprio Lennon um dia afirmou: “Yoko Ono é a mais famosa artista desconhecida do mundo”. Será que, se não fosse por sua celebridade como personagem – e não como artista – Yoko também não estaria expondo seu trabalhando na feira de Embu?

Agenda:

Exposição “Yoko Ono - uma Retrospectiva” - Abertura: 10 de novembro, às 11h. Até 3 de fevereiro de 2008, de terça a domingo das 9h às 20h. Entrada gratuita. Programa Educativo. Agendamento prévio de segunda a sexta pelo tel.: (11) 3113.3649 (grátis). Centro Cultural Banco do Brasil. Rua Álvares Penteado, 112 - Centro - São Paulo. Informações: (11) 3113-3651 / 3113-3652. (Fonte: www.teiacultural.com.br).

Links:

Site da Prefeitura Municipal da Estância Turística de Embú das Artes : http://www.embu.sp.gov.br/








domingo, 18 de novembro de 2007

Banco de sites de Arte e Educação

Uma das tarefas propostas em FC foi a criação de um Banco de Sites categorizado, cujos conteúdos tragam informações sobre Artes e/ou Educação, ou seja, que possam ser instrumentais na nossa aprendizagem no decorrer do curso. Ah, as possibilidades da internet... são infinitas, mas, a conexão discada aqui de casa não é muito motivadora... (rs)

A lista sugerida é uma compilação de sites indicados por alunos do IdA - Instituto de Artes - da UnB. É apenas o ponto de partida, pois a proposta é aumentá-la, à medida que vamos descobrindo sites interessantes. O banco já está bem grande, por isso, vai levar um bom tempo para pesquisar todos, ou a maioria deles, pelo menos. Já iniciei a pesquisa e gostaria de destacar estes três e, nas próximas postagens, vou destacando mais alguns:

1. Aguarrás
Categoria: crítica de arte



Descrição: publicação eletrônica de conhecimento em arte, colaborativa, livre e gratuita. Seu conteúdo é escrito exclusivamente por colaboradores e não são aceitas matérias pagas. O formato e o tamanho dos artigos é livre, fica a critério dos autores por ocasião do tema retratado.
O site entrou no ar em 2006 e une opinião editorial em arte com matérias e artigos relevantes. A linha editorial é voltada para a opinião, inovação e para a liberdade de expressão.

Comentários: o Aguarrás é um site interessantíssimo, atual e bastante completo. Sua interface é amigável, os links funcionam bem e a apresentação é clean, não possui muitas imagens pesadas, portanto, não demora a carregar no navegador.
Apesar de se destinar à crítica de arte, sua linguagem é simples e objetiva, de fácil entendimento para leigos. Acreditamos que possa ser uma fonte bastante útil para nos manter bem informados sobre o cenário da produção artística recente.

2. Tarsila do Amaral
Categoria: artistas plásticos nacionais

http://www.tarsiladoamaral.com.br/



Descrição: site oficial dessa importante artista plástica brasileira. Seu quadro Abaporú, de 1928, inaugurou o Movimento Antropofágico nas artes plásticas.

Comentários: o site de Tarsila tem uma interface amigável e, esteticamente, segue o conceito da artista, com belas ilustrações, porém, demora um pouco a ser carregado na primeira visita. Ainda está um tanto incompleto, com links em fase de construção, como o “Tarsila para Crianças”. Vale muito a pena visitá-lo, especialmente para aqueles que ainda não tiveram muito contato om sua riquíssima obra.

3. Amoa Konoya

Descrição: além de ser um espaço de comercialização de peças de arte indígenas, Amoa Konoya – que significa Jabuti nos idiomas Suruí e Ashaninka – é o resultado da relação de amizade e compromisso de seus idealizadores, Walter Gomes da Silva e Silvana Costa, com os vários grupos indígenas do Brasil, em mais de 15 anos de trabalho.

Comentários: o site tem uma proposta que vai além da mera comercialização de artefatos, trazendo informações interessantes sobre os povos nativos brasileiros, em especial os das etnias Suruí e Ashaninka, demonstrando preocupação na valorização da cultura indígena, ainda muito marginalizada em nossa sociedade.
A estética é clean, com poucas imagens e, com isso, se obtém agilidade no carregamento das informações do site, mesmo na primeira visita. Vale a pena conhecê-lo, especialmente se o internauta tiver interesse em seguir os links sugeridos, para um aprofundamento sobre a cultura indígena.
Boa navegação!

Aprendizagem na Educação à Distância

Este blog também é um espaço onde vou colocar algumas reflexões e tarefas propostas pelos nossos tutores das discilpinas: FC - Fundamentos do Curso; EEAD - Estratégias de Ensino e Aprendizagem à Distância e LPT - Leitura e Produção de textos.


Aprendizagem na EaD





EEAD - Questões para serem respondidas no Diário de Bordo



1. Para se contar com os inúmeros benefícios da educação presencial, sacrificamos, na maior parte das vezes, a diversidade de modos e ritmos de aprendizagem que existem em uma turma de alunos. Como você percebe essa questão?

Embora seja a esta a primeira vez que faço um curso à distância, tenho apreciado muito a sua dinâmica, pois a questão do ritmo de aprendizagem é fundamental para mim. Por isso,desde que tive, já há alguns anos, contato com a possibilidade da EaD (na época ainda em estágio bastante embrionário no Brasil) me tornei uma entusiasta da modalidade. Entretanto, havia – e acredito que ainda há, porém em menor escala – um preconceito muito grande acerca da EaD, o que, de certa forma, me desestimulava a adotá-la.

Agora que efetivamente estudo nessa modalidade, minhas impressões iniciais se confirmaram: cai como uma luva para mim. Gosto de ter o meu próprio ritmo de aprendizagem, de poder condicionar o estudo ao momento em que me sinto preparada, no horário que mais me convém; aprecio muito especialmente a flexibilidade de transitar entre as meterias e me dedicar a elas de acordo com o meu maior ou menor interesse (não querendo dizer, com isso, que ignore qualquer assunto, mesmo que não esteja no alto da minha escala de interesse). Ou seja, a EaD, para o meu estilo, é perfeita!


2. Esta mudança do ambiente físico (presencial) para um ambiente “mediado” oferece ao aluno uma maior flexibilidade para transitar por estas “aulas” ou lições de uma forma não necessariamente linear, que seja mais afeita às suas próprias necessidades, ritmos e estilo pessoal de aprendizagem. Como você vê essa questão?

Como já mencionei, gosto muito dessa flexibilidade. Entretanto, para um bom aproveitamento, é necessária uma boa dose de disciplina por parte do aluno da EaD. Concordo plenamente com o que foi dito no texto de apresentação: a modalidade presencial acaba condicionando os alunos a uma postura passiva.

É como se o processo dependesse apenas do professor e estivesse restrito à sala de aula e ao cumprimento das tarefas de casa exatamente como solicitadas, sem que o aluno se sinta na “obrigação” de pesquisar mais a fundo ou se preparar para os assuntos a serem discutidos nas próximas aulas. Na minha opinião essa é uma postura simplista, seja no presencial ou na EaD.

Depende do aluno o grau de conhecimento do qual se apropriará. O professor é um guia, uma valiosa fonte cujo conhecimento o aluno se apropriará em maior ou menor escala, dependendo de seu interesse e não o único responsável pelo desenvolvimento do aluno. Já tive excelentes professores e já tive professores medíocres, porém, nunca deixei de apreender este ou aquele conhecimento em função exclusiva da performance do professor, pois se trata da minha formação e não da dele(a). É claro que os bons mestres nos instigam mais porque conquistam o nosso respeito, e os maus... bem, os maus, pelo menos sob o meu ponto de vista, deveriam procurar uma nova profissão... ;-)

3. Na sua opinião, o que você acha que muda ao mudarmos o espaço e o tempo no qual acontecem os processos de ensino e aprendizagem? Será que os papéis do professor e do aluno sofrem alguma mudança?

Bem, como já exposto, tenho minha própria ótica acerca dos papéis dos alunos e dos professores. Chamo a responsabilidade sobre o meu desenvolvimento para mim, não assumo uma postura passiva. Dessa forma, a mudança do espaço e tempo no processo de ensino não altera de forma negativa a minha aprendizagem, ao contrário, a EaD traz inúmeras vantagens para o meu estilo.