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terça-feira, 1 de julho de 2008

Balanço geral: final de bimestre

Pois é, mais um bimestre que termina: outra etapa vencida nessa nossa longa caminhada rumo à Licenciatura em Artes Visuais!

Nesse bimestre cursamos as disciplinas Ateliê de Artes Visuais-1 (dedicado ao desenho), Tecnologias Contemporâneas na Escola-1 e História do Teatro-1. Minhas rápidas ponderações finais sobre estas disciplinas:

Ateliê (AAV1): foi uma grata surpresa, apresentou propostas interessantes, mesmo para aqueles que, como eu, não são especialmente talentosos para o desenho - para não dizer "aqueles que não desenham lhufas" (rs) - especialmente a partir da semana 5, quando passamos a utilizar o editor gráfico livre GIMP, sobre o qual já postei um artigo aqui. Os textos trabalhados também foram interessantes, alguns mais do que outros, mas, no geral, bons textos. Só lamentei o fato dessa disciplina ter sido ministrada integralmente online. Era de se esperar que houvesse pelo menos uma aula presencial semanal, mas não foi o que aconteceu. Uma pena, pois isso poderia ter enriquecido o nosso aprendizado e aproveitado melhor o espaço do pólo presencial, que é uma Universidade fantasma, um local muito bem estrtururado e completamente desperdiçado... mas, isso é assunto para um outro dia.

TCE1: foi também uma disciplina muito boa de se cursar, trouxe assuntos atuais à baila, incentivou algumas reflexões muito estimulantes, apesar de ter nos indicado, especialmente nas primeiras semanas, uma grande quantidade de textos longos, mas, na verdade, esse volume foi compensando pelo fato de cada unidade da disciplina ser composta por 2 semanas de trabalho, o que nos dava tempo suficiente para processar o conteúdo e dar conta das demandas das unidades.

Agora, HT1, sinceramente, ninguém mereceu! Simplesmente foi um martírio cursar essa disciplina, em todos os sentidos: o material indicado foi chatíssimo, basicamente composto por textos antigos, longuíssimos, de linguagem arcaica e rebuscada, difíceis de ler e que não prendiam absolutamente a atenção. A cada semana, uma avalanche de demandas era despejada sobre as nossas cabeças: fóruns com 3 ou 4 tópicos longuíssimos, elaboração de até 2 planos de aula por tarefa, leitura obrigatória de inúmeros textos teóricos e peças teatrais intermináveis, relatórios, fichamento, enfim: "you name it, they had it!". Resumindo: detestei! E me pergunto até agora como uma disciplina que no nosso Projeto Político Pedagógico aparece como "optativa", de repente se tornou obrigatória e o que é pior: a mais "cacete" do bimestre... vai saber!

Bom, mas se nem tudo são flores, algumas experiências do bimestre foram bem prazerosas. Como atividade final de TCE-1 tivemos de elaborar um site para divulgar os trabalhos que fizemos para o Ateliê de Artes Visuais: interferências em obras de grandes artistas clássicos, modernos e contemporâneos, com as ferramentas do editor GIMP.

O resultado, no meu caso, foi a criação da:

CiberNETica - Galeria de Arte Virtual



Esse site, como eu mencionei, é o resultado de um projeto proposto pela disciplina Tecnologias Contemporâneas na Escola-1, focado na importância da internet como veículo de comunicação, produção e divulgação de informação artística. Foi muito prazeroso fazê-lo e pretendo mantê-lo, inserindo outras informações e imagens de trabalhos que serão elaborados nos demais ateliês previsto para o curso de Artes Visuais.

Sem dúvida, a internet mudou a nossa relação com a comunicação, pois é um meio muito democrático. Com um site, você pode divulgar qualquer conteúdo e isso, é claro, funciona para o bem ou para o mal e, como tudo na vida, depende das intenções de quem se comunica e do que se está comunicando.

No caso das artes, as possibilidades são enormes: você pode publicar um livro sem precisar de um editor, um filme sem ter um canal de TV ou uma sala de exibição para para o veicular, uma música e até mesmo um CD inteiro sem precisar de uma gravadora ou de uma estação de rádio para tocar as suas músicas e, é claro, poderá expor um quadro ou qualquer tipo de trabalho de artes visuais sem precisar de uma galeria para abrigar as suas obras. Basta isso: elaborar um site, hospedá-lo gratuitamente e divulgá-lo, o que também pode ser feito sem qualquer custo.

E viva a liberdade de expressão!

Conto com a sua visita na CiberNETica e recomendo também a Fazendo Arte, galeria virtual da minha "patroa", a Nega, que, como eu, é aluna de Artes Visuais pela UnB. Casamento é isso aí, galera: na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na divulgação e no link! (rs)

Um abraço,


Suzy

sábado, 24 de maio de 2008

E por falar em tecnologia....

Na minha busca por imagens ligadas à tecnologia, encontrei no Clube da Mafalda esses quadrinhos bacanérrimos. Tecnologia? Falou e disse!


Vale a pena uma visita ao blog em homenagem à Mafalda, as tirinhas são muito legais...








terça-feira, 15 de abril de 2008

Não foi isso o que combinamos!!!


Sabe uma coisa que me deixa muito puta da vida? É quando se mudam as regras do jogo no meio do jogo!!! Foi o que aconteceu no curso que estou fazendo na UAB-UnB com relação ao Diário de Bordo.

No bimestre passado, a proposta era de que teríamos que fazer uma espécie de diário mesmo, onde manteríamos registros sobre o nosso percurso durante os 4 anos da Licenciatura em Artes Visuais. Esse espaço poderia estar em qualquer canto: num caderno, num blog, no ambiente de aprendizagem (Moodle), numa homepage, num papel de embrulhar pão, enfim, ao gosto do freguês. Tipo: "Oh, senhora liberdade, abra as asas sobre nós!".

Eu, que odiei o editor para o Diário de Bordo no ambiente de aprendizagem, criei rapidinho este blog para hospedar o meu DB. Enviei o link para os tutores (e, por sugestão deles, também para os colegas de turma) e passei a construí-lo, com a minha cara: os assuntos que me interessam, aqueles que acho pertinentes ao curso, alguns dos meus trabalhos acadêmicos, desabafos, opiniões pessoais, enfim, de tudo um pouco.

Qual não foi a minha surpresa - e profunda decepção - quando, neste 2º bimestre, os tutores nos dizem que os Diários de Bordo só serão avaliados se estiverem hospedados dentro do Moodle! E mais: os assuntos tem de estar relacionados com os temas e tarefas da semana. Uma coisinha assim, bem relógio de ponto, saca? vejamos, o que fiz hoje: "Querido diário, hoje eu tive de ler um texto cacete, rebuscado e cheio de trechos redundantes e fazer um resumo, depois vou colocar a minha opinião no fórum, tra-la-lá..." Cara, o que é isso? Não era absolutamente essa a proposta original, isso é ridículo, não vou ficar descrevendo as tarefas mecanicamente! Por isso, eu resolvi protestar! Péra lá.....

Para o bonde que eu quero descer!

Acho uma tremenda sacanagem, sabia? Além de ser um retrocesso... E, afinal, o que é que está pegando? Por acaso essas coisas não foram pensadas e debatidas antes de darem início ao curso? A galera agora está com preguiçinha de acessar os DBs fora do Moodle? Ah, mas que peninha! :-(

Bom, só para contrariar, além de meter a boca eu reproduzi no Ambiente de Aprendizagem o texto que no 1º bimestre foi veiculado pelos professores com as instruções para elaboração do Diário de Bordo. Afinal de contas, eu não tô louca, né? Se fiz o meu DB em forma de blog é porque eu tinha essa opção, ora bolas! :P

Acham que não? Acham que eu tô colocando chifre na cabeça de cavalo, e sendo muito mázinha com meus tutores? Ãhan... Então, leiam o texto abaixo - incia com o meu protesto - e digam se eu tenho razão, ou não, de estar puta da vida, uai! ;-)

NÃO FOI ASSIM QUE COMBINAMOS!

Bem, no início do 1º bimestre, fomos incentivados à construir um Diário de Bordo, que deveria nos acompanhar durante todo o curso de Licenciatura. A proposta, dividida em etapas, era, resumidamente, a seguinte: manter os nossos registros utilizando várias linguagens (sons, imagens, filems, etc.), na plataforma que escolhêssemos (Moodle, blogger, papel, documento Word, etc.). Inclusive, faço questão de reproduzir na íntegra essa atividade (abaixo), pois ela deixa bem claro a dinâmica do Diário de Bordo e que isso valeria para o curso inteiro.

Escolhi fazer um blog, que está hospedado em http://www.suzynobre.blogspot.com/
porque não gosto da ferramente disponível no Moodle, e agora recebo a informação dos tutores que, caso não coloque aqui as minhas inserções elas não valerão! Ora, tem alguma coisa errada nisso, certo? Mudaram as regras durante o jogo e, normalmente, isso não vale!

Fiquei muito chateada, pois gosto muito do meu blog, é uma plataforma flexível onde posso inserir várias mídias, tem uma estética legal para as postagens, dá para incluir outras informações que acho interessantes, e este espaço no Moodle não oferece essas funcionalidades.
Então, aqui fica o meu protesto contra a mudança da dinâmica do DB e uma certeza: valendo ou não, continuarei a manter meu blog, porque ele é muito mais prazeroso de se fazer.

Reprodução do texto retirado do Ambiente de Aprendizagem UAB-UnB no 1º bimestre

Atividade 1 - Construa o seu Diário de Bordo

Essa é a nossa proposta para você iniciar o seu diário de bordo!

Passo 1 - Você pode e deve construir o seu Diário de Bordo em diferentes linguagens: escrita, desenho, musical, poética, pintura, colagem, quadrinhos, dança e movimento, jogos, filmagem. Você pode utilizar diferentes suportes para desenvolver os seus registros porque o Diário de Bordo é uma experiência e não um lugar. Ele é uma experiência de auto-reflexão sobre a sua trajetória a partir de agora, e sobre as relações que você constrói com o seu curso, com a sua aprendizagem, com a sua vida.

Para começar a organizar essa proposta de uma forma mais concreta, sugerimos que você organize um caderno de apontamentos. Compre algumas resmas de folhas do tamanho que desejar, de diferentes cores, e peça para encadernar. Em cada seção colorida, organize um aspecto da sua experiência com o estudo a distância, e dos seus trabalhos acadêmicos, suas atividades de pesquisa, de leitura, planejamento do tempo, do espaço, dos recursos a serem usados nos seus projetos.

Passo 2 - Construa seus relatos a partir das perguntas desencadeadoras de reflexão.
Seu diário de bordo deve ser encarado como uma atividade contínua ao longo da disciplina e ao longo do curso.

Nele você pode organizar muitas experiências e reflexões a respeito de diferentes dimensões e aspectos da sua experiência como aluno do curso. Você pode desenvolvê-lo em diferentes linguagens e em diferentes mídias e suportes (Blog eletrônico, diário escrito, diário gravado ou em vídeo).

Passo 3 - Você pode desenvolver o seu Diário de Bordo na linguagem e na mídia de sua escolha. Seria interessante que, após desenvolvê-lo em uma mídia (exemplo: desenho, escrita, colagem), você também tente desenvolvê-lo em uma linguagem virtual, a linguagem do Blog, por exemplo.
Por isso, aqui no passo 3, nós o(a) encorajamos a aprender a colocar o seu Diário de Bordo em formato de Blog.

Comece colocando alguns elementos do seu Diário de Bordo, aqui na sua sala de aula virtual no Moodle ou em um outro site de sua preferência. Para fazê-lo, siga as instruções clicando no link:
Tutorial da atividade de construção de um BLOG

Passo 4 - Participe no Fórum comentando sua experiência com a construção do seu diário de bordo e com a construção do seu Blog.

Disponibilize no tópico: "Comente aqui seu diário de bordo" do fórum desta sessão os seus comentários e percepções a respeito do processo de construção de seu diários de bordo.

a) Comente sua experiência ao construir o seu Diário de Bordo, suas dúvidas, questionamentos, descobertas. Socialize suas reflexões e percepções sobre os temas que você mais trabalhou no seu Diário de Bordo. Comente sobre as perguntas e como elas ajudaram a desencadear suas reflexões e elaborações.

b) Elabore novas perguntas que possam alimentar o nosso banco de perguntas provocadoras de reflexão sobre o fazer artístico, e sobre a sua experiência/identificação com a produção de arte... Você pode e deve levantar questionamentos, fazer sugestões para enriquecermos os métodos de construção do Diário de Bordo.

Passo 5 - Entre no Blog dos colegas e participe também. Não deixe de comentar as idéias trazidas pelos colegas no fórum. Participe também dos comentários dos colegas!

Passo 6 - Traga para este fórum novas perguntas, que podemos agregar a este rol de perguntas! Coloquem-nas no tópico "Novas Perguntas para o Diário de Bordo".

Você pode e deve levantar questionamentos, fazer sugestões para enriquecermos os métodos de construção do Diário de Bordo.

Abraços!
A equipe

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Minha visão sobre a disciplina EEAD



Essa disciplina, Estratégias de Ensino e Aprendizagem a Distância, visa nesse momento inicial do curso nos instrumentalizar com ferramentas que possam facilitar o cotidiano de estudos e, principalmente evitar a evasão, pois, se a evasão é grande num curso presencial, essa tendência aumenta num curso a distância. Isso porque se trata de uma modalidade (EaD) que requer muita disciplina e, temos de levar em consideração que a “sala de aula” se transfere para as nossas casas, onde o risco de interferências é bem maior. Assim, são vários os fatores que podem acabar contribuindo para a evasão.

Até o momento, já foram levantados diversos assuntos, cada um deles abordando um aspecto da EaD: diagnóstico das condições externas, cultura da EaD, o aluno da EaD, o estudo na EaD e, a organização do estudo à distância e, agora, na unidade 6, as dificuldades e estratégias para a melhoria do estudo e da aprendizagem. Acho muito válida essa preocupação da UnB, principalmente porque tais discussões e reflexões servirão não apenas para os alunos, mas para dar mais subsídios à instituição, a fim de que ela possa melhorar processos para as próximas turmas, etc, garantindo assim a perenidade do projeto UAB.

Porém, apesar de reconhecer a validade da iniciativa, vou ser muito sincera: tenho dificuldade com certas abordagens dessa disciplina. Isso principalmente por dois motivos: porque as propostas, muitas vezes, têm um aspecto estritamente emocional, e eu sou uma pessoa bastante pragmática. Segundo porque as atividades são extremamente repetitivas. É mais ou menos trocar 6 por meia-dúzia: as perguntas são perecidíssimas, os exercícios idem. É chato quando um assunto já foi mais do que debatido e, mudando uma vírgula aqui e um ponto ali, o mesmo assunto volta à baila na semana seguinte. Desestimulante.

Quanto ao aspecto emocional das propostas, eu acredito, sim, que fatores emocionais possam interferir grandemente em todos os outros aspectos de nossas vidas, eu mesma estou passando por um momento de muita dificuldade que, várias vezes, acaba me atrapalhando: quando me deprimo, por conta desses problemas que tenho enfrentado, perco a concentração e a motivação. Mas, ainda assim, tenho muita dificuldade em executar algumas das propostas desta disciplina, especialmente aquelas que contém um claro viés de auto-ajuda.

Putz, auto-ajuda, para mim, não funciona mesmo! Me irrita profundamente, essa coisa de que a “felicidade está bem diante de você, basta estender a mão, etc...”, “querer é poder”, blá, blá, blá, todo esse lance Roberto Shiniashik, enfim, não dá! Que me desculpem os entusiastas dessa abordagem, mas, comigo, não rola.

Quem, em sã consciência, fica se sabotando? Quem não quer pegar a bendita “realização pessoal” nas mãos, já que ela está assim tão acessível, e viver com ela, felizes para todo o sempre? Eu, pelo menos, não tenho nada de masoquista; se as coisas comigo não estão bem, é porque realmente não estão bem e por motivos bem palpáveis, não é “coisa da minha cabeça”. Se não, vejamos: não tenho um emprego há mais de um ano, por isso, estou sem grana, estando sem grana, as contas vão se acumulando, se as contas se acumulam, eu fico nervosa, se fico nervosa, meus relacionamentos afetivos ficam abalados, se estão abalados, fico infeliz e deprimida, e por aí vai... Cada coisa que acontece na minha vida - e na de todo mundo - tem um motivo (real) e uma implicação (real). Portanto, por mais místico (ou cômodo) que seja, simplesmente não dá para dizer que tudo isso é porque eu não estou em “comunhão com o meu ‘eu’ interior” ou “aberta para o cosmos” para que o “universo possa conspirar a meu favor”. Ah, por favor, me poupem!

Bom, depois desse arroubo, vamos voltar ao que interessa: à discussão sobre a disciplina. Como exemplo dessa abordagem com um forte viés de “auto-ajuda”, eu posso citar a proposta de criação do “Diário Criativo”. Resumidamente, trata-se de um exercício onde devemos responder algumas perguntas desencadeadoras de reflexão para nos ajudar a prestar atenção aos altos e baixos emocionais, conhecer o impacto que os acontecimentos têm no nosso universo subjetivo, de forma a descobrirmos como esse universo impacta nos nossos estudos. As perguntas são do tipo:

1) Qual foi a dor que te curou mais?
2) Como eram as circunstancias nas quais você esteve mais perigosamente vivo?
3) Faça um ritual caseiro no qual você se compromete a atrair mais bênçãos para a sua vida.

Etc.

O Diário criativo não precisa necessariamente ser compartilhado com os tutores ou colegas, trata-se de um exercício confidencial, a fim de não causar nenhum tipo de constrangimento, o que eu acho bem legal. Nem sempre estamos dispostos a expor nossas fraquezas em praça pública, não é mesmo? Entretanto, ainda que ache extremamente válido, eu não o fiz, pois, para mim, a elaboração do Diário Criativo não teria o efeito desejado.

Como não precisamos mostrá-lo a ninguém, mas, temos de relatar no fórum específico (Metodologia do Diário Criativo) as nossas impressões a respeito de sua elaboração e metodologia, fui bastante franca a respeito, mesmo sob o risco de parecer pedante. Fiz isso porque não acredito em meias-verdades. Porque estamos num curso superior e não faria o menor sentido “enganar” minha tutora escrevendo um monte de “lero-lero” apenas para fazer uma “linha”.

Abro um parêntesis aqui para explicar que, de forma alguma, quero desmerecer a proposta do Diário Criativo, ou os colegas que a adotaram, pelo amor de Deus! Eu apenas quis ser verdadeira no que concerne a mim, por isso, expliquei o seguinte, no fórum que eu acho que esse exercício pode contribuir muito, no sentido de fazer com que haja uma reflexão sobre as barreiras que podem ser criadas por nós mesmos, em conseqüência de um emocional abalado, por exemplo.

Porém, para ser absolutamente honesta, que eu não sabia se estava pronta para ele... e acho que essa reflexão só seria válida se fosse feita com seriedade e comprometimento, e não apenas para ‘cumprir tabela’, por assim dizer, até porque, não faria o menor sentido: as respostas são confidenciais e não dá para enganar a si próprio, não é mesmo?.

Pois bem, agora me encontro em situação parecida, com outra proposta: fomos convidados pela tutora da disciplina a fazer um exercício sobre a gestão do nosso tempo, a fim de investigar de que forma os alunos podem reestruturar suas atividades a fim de acomodar os seus horários de estudos.

Bem, isso envolve alguns passos, a saber:

1. Descreva em uma lista um plano para as suas atividades diárias, desde a hora que você acorda até a hora que você deita, coloque dentro de um envelope lacrado e guarde na gaveta;
2. Descreva em uma lista suas atividades rotineiras, no tempo real que elas tomam para serem feitas;
3. Descreva a partir de uma observação mais precisa o que você faz de fato no decorrer de seu dia;
4. Abra o envelope, olhe a sua lista Ideal do uso do tempo. Abra a segunda lista, olhe com bastante atenção e compare as duas listas;
5. Descreva suas estratégias para otimizar o uso do seu tempo no seu Diário de Bordo;
6. Montar, baseando-se no texto “Como Montar seu quadro horário”, um plano de estudo ideal para você.
7. Tentar seguí-lo e ir relatando os reajustes que você está fazendo entre o plano ideal, e o plano “realista” que resulta das suas observações.

Então, é bem legal, mas, como é que eu vou me beneficiar disso se estou desempregada e tudo o que eu tenho, nesse momento, é tempo de sobra? (rs)

Ou seja, simplesmente não sei o que fazer! Invento um monte de atividades, e o plano ideal de estudos, simplesmente para cumprir a tarefa designada? Ignoro a tarefa, fico “na miúda” e deixo por isso mesmo? Explico, novamente, à tutora que não vou fazer porque, no meu caso, não faz o menor sentido, ainda que considere o exercício extremamente válido para quem, de fato, tem a vida atribulada e poderá se beneficiar com esse estudo? E o que ela vai achar dessa minha nova inserção: que eu estou sendo franca ou simplesmente insubordinada?

Como diz o velho ditado, acho que eu estou num mato sem cachorro! ;-)

sábado, 24 de novembro de 2007

Estágio probatório para professores do ensino público

Como será que anda a qualidade da formação dos professores da rede pública? Infelizmente, muito ruim. Aqui em Itapê, que já foi muito conhecida como “a cidade dos professores”, por ter abrigado o 1º curso de Magistério do Estado de São Paulo, tenho vários amigos que lecionam na rede pública, tanto estadual quanto municipal. Vou falar a verdade: são todos muito queridos, porém, amigos ou não, analisando friamente, a maioria não está nem de longe preparada para dar aulas.

Eles não têm preparo e nem motivação para aprimorar seus conhecimentos. Uma achou que Jean Piaget fosse um escritor da literatura brasileira. Outro não sabia onde se localiza a Oceania. Pobres alunos... E o que dizer dos professores que não dominam a norma culta da língua? Deplorável, para dizer o mínimo! Ou, pior: que, além de falarem errado e de não serem, portanto, capazes de corrigir os alunos, ensinam absurdos porque não têm coragem de admitir que não sabem a resposta para certos questionamentos? Por favor! Ninguém, inclusive professores, tem a obrigação de saber tudo, dominar todos os detalhes de sua disciplina, mas, ao invés de admitirem essa deficiência e de, obviamente, se comprometerem a pesquisar o assunto em questão e voltar para o aluno com a resposta correta, inventam respostas absurdas!

Vou colocar aqui uma pérola de uma professora substituta, numa aula de matemática para a 6ª série do Fundamental (quem me contou foi uma amiga que trabalha na secretaria dessa escola pública estadual): a professora disse aos alunos que “13” é um número mágico, divisível por “2” e o resultado dessa divisão – pasmem – é um número exato!

Outra professora, da mesma escola, enviou à minha amiga um bilhetinho, solicitando da secretaria: “folhas de papel ao masso”. Pelo amor de Deus!!!!

Assim, como é que se pode esperar que os alunos (especialmente os da rede pública de ensino) tenham uma boa formação, se as pessoas que foram escolhidas para ensiná-los não sabem o básico do básico? E, se não tiverem uma boa formação, como se colocarão num mercado tão competitivo, como o mercado de trabalho contemporâneo?

Outro absurdo: professores substitutos, ou eventuais, não têm de ter formação específica na disciplina para ministrarem as aulas. Isso mesmo! Você é formado em Letras, mas, pode ser chamado – geralmente às pressas – para dar aula de química, física, geografia, ou seja, professor com ênfase em Bombril - mil e uma utilidades!

A justificativa é que os alunos não podem ficar sem a aula, por conta de uma falta ou problema do professor titular, mas, não aprender, ou pior, aprender “abobrinhas”, pode?
Ontem (20/11), assistindo ao noticiário local da TV Tem (transmissora da rede Globo da nossa região), soube que, a partir de agora – antes tarde do que nunca – será adotado o “estágio probatório” para professores da rede pública de ensino. Será um período de experiência de 3 anos. Caso o professor não atinja as metas pré-estabelecidas durante esse processo, será exonerado. Caso preencha, será efetivado e só então contará com a estabilidade garantida pelo serviço público. Como dizem as minhas filhas: “DEMOROU”!

Sob o meu ponto de vista, muito do processo de educação depende do interesse do próprio aluno: de sua disposição de fugir do senso comum - desenvolvendo uma visão crítica - e de não se confinar a uma postura passiva de mero “receptáculo” do saber; porém, grande parte desse desenvolvimento depende essencialmente do professor, da qualidade de sua formação e de uma postura ética com relação ao seu papel na sociedade. Nem 15% das escolas estaduais possuem uma biblioteca... acesso à Internet, então, é coisa rara; então, a quem os alunos recorrerão para enriquecer seu aprendizado? Ao professor, evidentemente, pois, dentro da sala de aula, ele é uma referência para o aluno.

O Brasil não pode continuar a ser um “gigante deitado eternamente em berço esplêndido”: é um país de dimensões continentais, que conta com muitos recursos e enorme potencial, mas que não cresce e não se desenvolve na mesma velocidade que outros países pobres (ou em desenvolvimento, como preferem os politicamente corretos), principalmente porque os brasileiros não têm instrução. Sem educação, seremos sempre um povo facilmente manobrado, ludibriado, refém de elites e governantes corruptos. Sem educação não existe cidadania, não existe possibilidade de diminuição dos abismos sociais que separam os mais ricos dos mais pobres, que formam a maioria esmagadora da nossa população.

Porém, para não dizer que eu só falo mal, faço aqui uma homenagem e tiro o meu chapéu para professores que, a despeito das condições precárias da maioria das escolas, não desistem e fazem a diferença para os seus alunos. Andam quilômetros, navegam em barcas e pequenos botes, vão em cima de lombo de jegue, mas não abandonam seus alunos e mostram que têm uma vocação inequívoca para serem educadores. Não há verbas, não existem materiais didáticos ou de apoio, às vezes, sequer carteiras e quadro negro nas salas, mas eles estão lá, faça sol ou chuva, à espera das crianças que, sem o altruísmo desses educadores, estariam fadadas à condição de parias da sociedade, pois o analfabetismo subjuga e aliena as pessoas, tornando-as reféns da miséria.

Se uma pequena parcela dos recursos que são tão acintosamente desviados por políticos corruptos fosse destinada à educação, principalmente fora dos grandes centros, nosso IDH seria infinitamente melhor. Não tem fórmula mágica: povo desenvolvido é povo esclarecido.

Como já diz o velho ditado “se quiser algo bem-feito, faça você mesmo”, por isso, brasileiros, se nós não acordarmos, e não pusermos a “mão na massa” para mudar a realidade desse país, não será nenhum FMI ou ONU que o fará por nós!

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

Assaltaram a gramática!




Meu Deus do céu! O que é que estão fazendo com a Língua Portuguesa? Gente, dá até medo...

Atualmente, percebe-se uma clara falta de preocupação generalizada em falar e escrever corretamente. Acho, também, que é uma solução muito simplista considerarmos isso um reflexo do fenômeno do “internetês”: essa aberração que reduziu o vocabulário, especialmente dos jovens, a um amontoado de erros de ortografia grotescos. Ah, façam-me o favor! O mesmo tempo que se leva para digitar “axo”, “bejo”, e outras pérolas do gênero, leva-se para digitar “acho”, “beijo”, e por aí vai...

Uma pequena vitória nesse campo: de tanto eu “pegar no pé” das minhas filhas por causa do internetês, a minha caçula, Vicky, voltou a escrever em português no MSN – agora, pelo menos, entendo o que ela está digitando! ;-)

E o famigerado “gerundismo” então? Porque falarmos “vamos estar passando a sua ligação para o setor tal” quando podemos simplesmente dizer: “um momento, passaremos a ligação”? É por isso que eu participo da comunidade “Vamos estar odiando o gerundismo”. Se eu pudesse, sozinha, erradicaria essa outra aberração da nossa língua... Mas, como isso é impossível, faço a minha parte, me abstendo completamente desse desvario gramatical! Ah! Recentemente, teve até um prefeito, não me recordo o município, que baixou um decreto proibindo o gerúndio. Coitado do gerúndio, ele lá tem culpa da má – aliás - péssima utilização que fazem dele? Aliás, como é que se pode proibir um tempo verbal? O Prefeito errou na mão, mas, se ele reformular esse Decreto e resolver acabar com o “gerundismo” na prefeitura, eu também apóio! (rs)

É exatamente por causa do desleixo com o nosso idioma que vemos os resultados sofríveis de alunos no ENEM, ENAD, e outras ferramentas utilizadas na avaliação dos conhecimentos dos alunos do ensino básico e superior. Alunos do 3º ano do Ensino Médio são incapazes de fazer uma redação com 10 linhas, por exemplo. Como é que um aluno chega a esse ponto como um analfabeto funcional? Por quantos professores esse alunou não passou, durante a sua vida escolar? Ninguém percebeu que ele não tinha condições de avançar até ali, ninguém identificou sua formação deficitária? Ou, simplesmente, é mais cômodo promover um aluno de uma série para a outra, sem que haja condições mínimas para tanto?

Isso só é engraçado quando o Jô lê as “pérolas do ENEM” no seu programa. A realidade é bem outra, é trágica: brasileiros que não falam português, que não sabem se expressar, que saem das escolas como entraram, ou seja, com pouco ou nenhum conhecimento.

Podem me chamar de chata, mas eu não abro mão de meus dicionários, meus manuais de redação, do corretor ortográfico que qualquer editor de texto possui, dos glossários e enciclopédias online. Tudo isso está disponível, basta procurar, basta ter interesse, pois, onde há vontade, há meios. Morro de medo de dar uma “gafe”, de “pagar o mico” escrevendo um absurdo, que outras pessoas – colegas, professores e, no caso do blog, outros internautas – lerão. E, vou mais adiante ainda: eu não poderia ter outra postura, já que me propus a fazer um curso de licenciatura.

Na minha opinião, a Língua Portuguesa foi o mais importante legado dos colonizadores. Invadiram nosso país - jamais concordei com o termo “descobrimento” - saquearam-nos tudo o quanto foi possível e por tanto tempo quanto conseguiram, porém, deixaram-nos como herança essa língua: rica, completa, melódica, misteriosa, complexa, totalmente imprevisível e, por isso mesmo, tão fascinante.

Se eu pudesse, lhe faria uma declaração de amor, porém, deixo isso a cargo de gênios como Clarice Lispector, Machado de Assis, Caetano Veloso, Cazuza, Renato Russo, e tantos outros poetas e mestres da literatura, que a souberam usar com tanta maestria.

Como não estou a altura dessas mentes brilhantes, tomo emprestadas suas declarações de amor pelo idioma. Como a de Pablo Neruda, que soube expressar de forma tão maravilhosa aquilo que eu, particularmente, sinto sobre o legado que nos foi deixado pelos conquistadores. Neruda se referia ao próprio idioma, no contexto da colonização da América Espanhola, porém, sua narrativa poderia perfeitamente descrever a nossa história e da chegada da Língua Portuguesa à nossa pátria.

A palavra

...Sim, senhor, tudo o que queira, mas são as palavras as que cantam, as que sobem e baixam... Prosterno-me diante delas... Amo-as, uno-me a elas, persigo-as, mordo-as, derreto-as... Amo tanto as palavras... As inesperadas... As que avidamente a gente espera, espreita até que de repente caem... Vocábulos amados... Brilham como pedras coloridas, saltam como peixes de prata, são espuma, fio, metal, orvalho... Persigo algumas palavras... São tão belas que quero colocá-las todas em meu poema... Agarro-as no vôo, quando vão zumbindo, e capturo-as, limpo-as, aparo-as, preparo-me diante do prato, sinto-as cristalinas, vibrantes, ebúrneas, vegetais, oleosas, como frutas, como algas, como ágatas, como azeitonas... E então as revolvo, agito-as, bebo-as, sugo-as, trituro-as, adorno-as, liberto-as... Deixo-as como estalactites em meu poema, como pedacinhos de pedra polida, como carvão, como restos de um naufrágio, presentes da onda... Tudo está na palavra... Uma idéia inteira muda porque uma palavra mudou de lugar ou porque outra se sentou como uma rainha dentro de uma frase que não a esperava e que a obedeceu... Têm sombra, transparência, peso, pluma, pêlos, têm tudo o que se lhes foi agregando de tanto vagar pelo rio, de tanto transmigrar de pátria, de tanto ser raízes... São antiqüíssimas e recentíssimas. Vivem no féretro escondido e na flor apenas desabrochada... Que bom idioma o meu, que boa língua herdamos dos conquistadores torvos... Estes andavam a passos largos pelas tremendas cordilheiras, pelas Américas encrespadas, buscando batatas, butifarras, feijõezinhos, tabaco negro, ouro, milho, ovos, frutos, com aquele apetite voraz que nunca mais se viu no mundo... Tragavam tudo: religiões, pirâmides, tribos, idolatrias iguais às que eles traziam em suas grandes bolsas... Por onde passavam a terra ficava arrasada... Mas caiam das botas dos bárbaros, das barbas, dos elmos, das ferraduras, como pedrinhas, as palavras luminosas que permanecem aqui resplandecentes... o idioma. Saímos perdendo... Saímos ganhando... Levaram o ouro e nos deixaram o ouro... Levaram tudo... e nos deixaram tudo... Deixaram-nos as palavras.


Neruda falou e disse! ;-)

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

WIKI, civilidade y otras cositas más...


WIKI é uma ferramenta que possibilita a elaboração de textos em conjunto – ou a inserção de outros códigos, tais como imagens, filmes, sons, etc. Teoricamente, esta é uma ferramenta democratizadora do conhecimento: um banco de dados que pode – e deve – ser enriquecido com diferentes visões pessoais, material de pesquisa, inserção de comentários, etc., do grupo que participa da sua elaboração. Um bom exemplo dessa ferramenta e de sua importância é a Wikipédia – uma enciclopédia aberta, disponível na Internet para qualquer internauta consultar e/ou editar, gratuitamente (http://www.wikipedia.org/). A Encliclopédia também está disponível em vários idiomas.

Pois bem, dentro do ambiente Moodle, que é a plataforma utilizada pela UAB para viabilizar o ensino à distância, temos a ferramenta WIKI. Bacana, não é? Seria, sim, se a sua interface e conseqüente utilização fossem mais amigáveis. Mas, não são! Os tutores tiveram muito boa-vontade, abriram fóruns para tirar dúvidas, disponibilizaram um tutorial, etc., mas, mesmo assim, continuo achando a interface ruim e a utilização muito truncada. Tudo bem: sigo o passo-a-passo e consigo até publicar alguma coisa, mas, depois, tento visualizar o texto como um todo, interagir com os colegas que postaram, mas, não consigo! Foi exatamente por isso que optei fazer o meu Diário de Bordo em formato de blog, porque, nessa plataforma, a interface é mais amigável; ela me possibilita, postar, verificar, editar, reeditar, excluir, inserir imagens e outros objetos, dar a formatação e a aparência que desejar, enfim, minha experiência, trabalhando com essa ferramenta, é muito mais prazerosa.

Resolvi o meu problema, porém, não estou participando das discussões no WIKI, nem expondo os meus pontos de vista, minhas pesquisas, meus trabalhos acadêmicos, etc., e foi para isso que o WIKI foi inserido no nosso ambiente de aprendizagem virtual. Felizmente, nem tudo está perdido, pois temos os fóruns, que possibilitam essa interação.

Outro problema que identifico na ferramenta: a sua vulnerabilidade ao vandalismo. Esse problema, porém, não se aplica ao nosso WIKI, pois está dentro de um ambiente moderado. O vandalismo não se restringe ao mundo real, aliás, o mundo virtual reproduz, com fidelidade, muitas das práticas abomináveis do mundo real: o roubo, para citar apenas uma delas. Por isso, o vandalismo existe, sim, no mundo virtual e especialmente pode ser cometido numa plataforma maleável, flexível, como o WIKI. Vou dar um exemplo que aconteceu comigo:

Quando estava pesquisando dados biográficos sobre os meus artistas preferidos, acessei a página da Wikipédia (http://pt.wikipedia.org/wiki/Pablo_Picasso) com a biografia de Pablo Picasso. Veja só o que estava lá:

“Pablo Ruiz Picasso (Málaga, 25 de Outubro, 1881 — Mougins, 8 de Abril, 1973) foi o maior paneleiro de sempre da Arte do século XX. É considerado um dos gays mais famosos e versáteis de todo o mundo, tendo criado milhares paneleiros em todo o mundo, não somente travestiss mas também gays pequeninos (como o teixeirinhas e telmo, usando, enfim, todos os tipos de materiais. Ele também é conhecido como sendo o co-fundador do Cubismo, junto com Georges Braque. Diz-se que levou toda a sua vida a saber pintar como uma criança. (A criança expressa-se pela necessidade que tem de se expressar e pelo prazer que isso lhe dá; tal como respira porque tem necessidade, sem que alguém se preocupe em fazer qualquer juízo sobre isso.)”.
(...)

Bem, se eu não tivesse um pingo de discernimento e, também, se não soubesse o que a palavra “paneleiro” significa em Portugal (termo pejorativo que se iguala ao nosso termo “viado” - com “i” mesmo, pois não se trata do animal), poderia muito bem ter utilizado essa informação no meu trabalho acadêmico. E que belo “mico” isso teria sido! (rs)

Essa página foi claramente vandalizada. Digo isso com certeza, porque as demais informações eram sérias e a redação não continha erros grosseiros, tais como “travestis” com 2 letras “S” no final. Fora isso, percebe-se também que a informação desse parágrafo inicial não tem a menor coerência. E, por “informações sérias”, não quero dizer que Picasso não fosse gay, bissexual, ou coisa que o valha – não sei nada sobre a sua orientação sexual - mas sei que, certamente, tal informação não seria passada dessa maneira em uma enciclopédia. Não retornei ao link, por isso, não posso dizer se a página foi alterada ou não, mas fiz questão de guardar esse trecho no meu computador, porque achei o cúmulo da desfaçatez!

Portanto, democracia é bom, mas é necessário que as pessoas saibam lidar com ela. É preciso ter uma postura ética para se viver em sociedade. É preciso civilidade para freqüentar uma biblioteca pública, por exemplo, para que os livros sejam manuseados e não destruídos: não vale arrancar página, riscar, fazer anotações, usar marca-texto, deixar as páginas amassadas ou com “orelhas”, etc.; é preciso respeito para que os nossos monumentos não sejam pichados, enfim, é preciso ser cidadão e entender que o “público” não é algo que não tem dono, muito pelo contrário: é algo que pertence a todos nós e, por isso, deve ser preservado. Até porque tudo custa dinheiro e de quem será que esse dinheiro sai? De alguma árvore ou dos impostos que pagamos?

Vamos cair na real, gente!

Mas, quem disse isso?

Durante o feriado da República, tive uma discussão muito bacana sobre Arte, com a minha filha mais velha, a Raphaela. Rapha é aluna do 2º ano do curso de Design da Faculdade SENAC-SP.
Ela é super talentosa e não é "papo de mãe", não... podem conferir: tem alguns de seus trabalhos num portfolio virutal, hospedado em www.flickr.com/photos/raphaelasimon. :-)
Nossos cursos têm várias similaridades, porém, o meu é mais generalista e o dela, mais especificamente voltado à área de design multimídia.

Pois bem, ela me contou que, durante uma aula, colocou sua posição pessoal sobre o que considera Arte, tomando como exemplo Embu das Artes, município próximo à São Paulo (Capital), famoso por seus antiquários e sua feira permanente (mas freqüentada principalmente aos domingos) que expõe e comercializa pinturas, esculturas, objetos, artesanato, etc.

Raphaela disse, à classe: “Gente, Embu é arte pura!” e, segundo suas próprias palavras, foi “zoada” pela classe inteira: “Ah, Rapha, pelo amor de Deus, desde quando aquilo é arte?”. Bom, então, eu faço minhas as palavras da minha filha: “E quem disse que não é?”

- Quem convenciona o que é arte e o que não é?
- E de que forma isso é feito?
- Quais são os critérios adotados?

Eu, por exemplo, questiono o status de arte dado a vários trabalhos com os quais já tive contato (real ou virtual). Vou usar uma referência recente para ilustrar isso: foi aberta uma exposição de trabalhos de Yoko Ono. A mostra ficará no Centro Cultural Banco do Brasil, em São Paulo, até o dia 03 de fevereiro de 2008.

A exposição conta com uma célebre obra (da foto), denominada Ceiling painting (pintura no teto), que fez com que o Beatle John Lennon, de quem Yoko é viúva, se encantasse pela artista, em 1966. Trata-se de uma instalação que conta com uma escada e uma lupa. Para interagir com ela, o expectador sobe a escada, pega a lupa e lê, pintada no teto em letra minúscula, a palavra “yes” (sim).

Tudo bem... é uma forma de expressão. A instalação pode ser considerada como um veículo para a transmissão de uma mensagem otimista, etc e tal. Mas, é arte?

Ceiling painting – imagem disponível em: www.teiacultural.com.br/img/loop_capa/qui.jpg

Então, uma propaganda, um comercial de TV, também pode ser considerado uma obra de arte... ou não? Vejamos: é uma criação humana; depende de criatividade e técnica; utiliza vários suportes e linguagens (teatro, música, efeitos áudio-visuais); pretende passar uma mensagem que, muitas vezes, não está ligada explicitamente à venda de produtos – caso das propagandas institucionais; até aqui, temos várias similaridades com os trabalhos que são considerados como arte, portanto, o que difere - exceto alguns meios e suportes utilizados - a propaganda da pintura, por exemplo? Ou de uma instalação, como a Ceiling painting?

Por falar nisso, eu adorei a propaganda do Axe Click! É genial. Os atores dão um show de interpretação, conseguem passar a mensagem sem um único diálogo, só com expressões faciais e linguagem corporal, mas dão perfeitamente o seu recado. Para se chegar a um resultado final tão bom, a tecnicidade e a sensibilidade de muitas pessoas estiveram envolvidas, cada um com seu conhecimento, dons ou habilidades. Se eu fosse a autora da idéia que deu origem ao comercial, com certeza me sentiria como um pintor que termina uma tela, ou um escultor que contempla sua obra pronta. Eu contemplaria a minha obra como uma artista! ;-)


Campanha Axe - mídia impressa, imagem disponível em: www.adwebfreak.wordpress.com

Para apimentar um pouco mais a discussão: e o artesanato? O que difere uma obra de arte de uma peça artesanal? Eu, por exemplo, fico fascinada com a riqueza de detalhes da Cerâmica Marajoara (típica do Estado do Pará). São peças maravilhosas, que dependem de muita criatividade, senso estético e técnica para serem confeccionadas. Não passam uma mensagem, certo, mas têm qualidade estética. Vou ser bem sincera: entre visitar a exposição da Yoko e uma outra, de Cerâmica Marajoara, eu fico com a segunda, sem pestanejar! (rs).

Cerâmica marajoara – imagem disponível em: http://www.losartesanos.com/

Para terminar essa postagem, mais uma provocação: se a Yoko Ono não fosse a viúva de John Lennon, e uma personagem folclórica por ter sido apontada como um dos principais pivôs da separação da banda, ela teria tanta notoriedade? Acho que não, pois, segundo o próprio Lennon um dia afirmou: “Yoko Ono é a mais famosa artista desconhecida do mundo”. Será que, se não fosse por sua celebridade como personagem – e não como artista – Yoko também não estaria expondo seu trabalhando na feira de Embu?

Agenda:

Exposição “Yoko Ono - uma Retrospectiva” - Abertura: 10 de novembro, às 11h. Até 3 de fevereiro de 2008, de terça a domingo das 9h às 20h. Entrada gratuita. Programa Educativo. Agendamento prévio de segunda a sexta pelo tel.: (11) 3113.3649 (grátis). Centro Cultural Banco do Brasil. Rua Álvares Penteado, 112 - Centro - São Paulo. Informações: (11) 3113-3651 / 3113-3652. (Fonte: www.teiacultural.com.br).

Links:

Site da Prefeitura Municipal da Estância Turística de Embú das Artes : http://www.embu.sp.gov.br/