terça-feira, 15 de abril de 2008

Não foi isso o que combinamos!!!


Sabe uma coisa que me deixa muito puta da vida? É quando se mudam as regras do jogo no meio do jogo!!! Foi o que aconteceu no curso que estou fazendo na UAB-UnB com relação ao Diário de Bordo.

No bimestre passado, a proposta era de que teríamos que fazer uma espécie de diário mesmo, onde manteríamos registros sobre o nosso percurso durante os 4 anos da Licenciatura em Artes Visuais. Esse espaço poderia estar em qualquer canto: num caderno, num blog, no ambiente de aprendizagem (Moodle), numa homepage, num papel de embrulhar pão, enfim, ao gosto do freguês. Tipo: "Oh, senhora liberdade, abra as asas sobre nós!".

Eu, que odiei o editor para o Diário de Bordo no ambiente de aprendizagem, criei rapidinho este blog para hospedar o meu DB. Enviei o link para os tutores (e, por sugestão deles, também para os colegas de turma) e passei a construí-lo, com a minha cara: os assuntos que me interessam, aqueles que acho pertinentes ao curso, alguns dos meus trabalhos acadêmicos, desabafos, opiniões pessoais, enfim, de tudo um pouco.

Qual não foi a minha surpresa - e profunda decepção - quando, neste 2º bimestre, os tutores nos dizem que os Diários de Bordo só serão avaliados se estiverem hospedados dentro do Moodle! E mais: os assuntos tem de estar relacionados com os temas e tarefas da semana. Uma coisinha assim, bem relógio de ponto, saca? vejamos, o que fiz hoje: "Querido diário, hoje eu tive de ler um texto cacete, rebuscado e cheio de trechos redundantes e fazer um resumo, depois vou colocar a minha opinião no fórum, tra-la-lá..." Cara, o que é isso? Não era absolutamente essa a proposta original, isso é ridículo, não vou ficar descrevendo as tarefas mecanicamente! Por isso, eu resolvi protestar! Péra lá.....

Para o bonde que eu quero descer!

Acho uma tremenda sacanagem, sabia? Além de ser um retrocesso... E, afinal, o que é que está pegando? Por acaso essas coisas não foram pensadas e debatidas antes de darem início ao curso? A galera agora está com preguiçinha de acessar os DBs fora do Moodle? Ah, mas que peninha! :-(

Bom, só para contrariar, além de meter a boca eu reproduzi no Ambiente de Aprendizagem o texto que no 1º bimestre foi veiculado pelos professores com as instruções para elaboração do Diário de Bordo. Afinal de contas, eu não tô louca, né? Se fiz o meu DB em forma de blog é porque eu tinha essa opção, ora bolas! :P

Acham que não? Acham que eu tô colocando chifre na cabeça de cavalo, e sendo muito mázinha com meus tutores? Ãhan... Então, leiam o texto abaixo - incia com o meu protesto - e digam se eu tenho razão, ou não, de estar puta da vida, uai! ;-)

NÃO FOI ASSIM QUE COMBINAMOS!

Bem, no início do 1º bimestre, fomos incentivados à construir um Diário de Bordo, que deveria nos acompanhar durante todo o curso de Licenciatura. A proposta, dividida em etapas, era, resumidamente, a seguinte: manter os nossos registros utilizando várias linguagens (sons, imagens, filems, etc.), na plataforma que escolhêssemos (Moodle, blogger, papel, documento Word, etc.). Inclusive, faço questão de reproduzir na íntegra essa atividade (abaixo), pois ela deixa bem claro a dinâmica do Diário de Bordo e que isso valeria para o curso inteiro.

Escolhi fazer um blog, que está hospedado em http://www.suzynobre.blogspot.com/
porque não gosto da ferramente disponível no Moodle, e agora recebo a informação dos tutores que, caso não coloque aqui as minhas inserções elas não valerão! Ora, tem alguma coisa errada nisso, certo? Mudaram as regras durante o jogo e, normalmente, isso não vale!

Fiquei muito chateada, pois gosto muito do meu blog, é uma plataforma flexível onde posso inserir várias mídias, tem uma estética legal para as postagens, dá para incluir outras informações que acho interessantes, e este espaço no Moodle não oferece essas funcionalidades.
Então, aqui fica o meu protesto contra a mudança da dinâmica do DB e uma certeza: valendo ou não, continuarei a manter meu blog, porque ele é muito mais prazeroso de se fazer.

Reprodução do texto retirado do Ambiente de Aprendizagem UAB-UnB no 1º bimestre

Atividade 1 - Construa o seu Diário de Bordo

Essa é a nossa proposta para você iniciar o seu diário de bordo!

Passo 1 - Você pode e deve construir o seu Diário de Bordo em diferentes linguagens: escrita, desenho, musical, poética, pintura, colagem, quadrinhos, dança e movimento, jogos, filmagem. Você pode utilizar diferentes suportes para desenvolver os seus registros porque o Diário de Bordo é uma experiência e não um lugar. Ele é uma experiência de auto-reflexão sobre a sua trajetória a partir de agora, e sobre as relações que você constrói com o seu curso, com a sua aprendizagem, com a sua vida.

Para começar a organizar essa proposta de uma forma mais concreta, sugerimos que você organize um caderno de apontamentos. Compre algumas resmas de folhas do tamanho que desejar, de diferentes cores, e peça para encadernar. Em cada seção colorida, organize um aspecto da sua experiência com o estudo a distância, e dos seus trabalhos acadêmicos, suas atividades de pesquisa, de leitura, planejamento do tempo, do espaço, dos recursos a serem usados nos seus projetos.

Passo 2 - Construa seus relatos a partir das perguntas desencadeadoras de reflexão.
Seu diário de bordo deve ser encarado como uma atividade contínua ao longo da disciplina e ao longo do curso.

Nele você pode organizar muitas experiências e reflexões a respeito de diferentes dimensões e aspectos da sua experiência como aluno do curso. Você pode desenvolvê-lo em diferentes linguagens e em diferentes mídias e suportes (Blog eletrônico, diário escrito, diário gravado ou em vídeo).

Passo 3 - Você pode desenvolver o seu Diário de Bordo na linguagem e na mídia de sua escolha. Seria interessante que, após desenvolvê-lo em uma mídia (exemplo: desenho, escrita, colagem), você também tente desenvolvê-lo em uma linguagem virtual, a linguagem do Blog, por exemplo.
Por isso, aqui no passo 3, nós o(a) encorajamos a aprender a colocar o seu Diário de Bordo em formato de Blog.

Comece colocando alguns elementos do seu Diário de Bordo, aqui na sua sala de aula virtual no Moodle ou em um outro site de sua preferência. Para fazê-lo, siga as instruções clicando no link:
Tutorial da atividade de construção de um BLOG

Passo 4 - Participe no Fórum comentando sua experiência com a construção do seu diário de bordo e com a construção do seu Blog.

Disponibilize no tópico: "Comente aqui seu diário de bordo" do fórum desta sessão os seus comentários e percepções a respeito do processo de construção de seu diários de bordo.

a) Comente sua experiência ao construir o seu Diário de Bordo, suas dúvidas, questionamentos, descobertas. Socialize suas reflexões e percepções sobre os temas que você mais trabalhou no seu Diário de Bordo. Comente sobre as perguntas e como elas ajudaram a desencadear suas reflexões e elaborações.

b) Elabore novas perguntas que possam alimentar o nosso banco de perguntas provocadoras de reflexão sobre o fazer artístico, e sobre a sua experiência/identificação com a produção de arte... Você pode e deve levantar questionamentos, fazer sugestões para enriquecermos os métodos de construção do Diário de Bordo.

Passo 5 - Entre no Blog dos colegas e participe também. Não deixe de comentar as idéias trazidas pelos colegas no fórum. Participe também dos comentários dos colegas!

Passo 6 - Traga para este fórum novas perguntas, que podemos agregar a este rol de perguntas! Coloquem-nas no tópico "Novas Perguntas para o Diário de Bordo".

Você pode e deve levantar questionamentos, fazer sugestões para enriquecermos os métodos de construção do Diário de Bordo.

Abraços!
A equipe

FINAL DE BIMESTRE



Nesses tempos loucos, corremos o tempo inteiro: atrás de tudo, de todos, de nós mesmos... Mas, apesar de tanta correria e tanta procura, não achamos aquilo de que mais precisamos: tempo. Tempo para apreciarmos a vida, e as vidas que cruzam a nossa vida.

Não temos tempo para nada, nem mesmo para nos conhecermos melhor. E olha que estamos no mesmo barco! Parece que nem existimos de fato, além dos bytes e bits. Porém, atrás dos textos postados nos fóruns, atrás dos arquivos, das fotos digitais, existem pessoas de verdade, que têm sentimentos, sonhos, planos, dificuldades, cometem erros e acertos, mas, acima de tudo: existem! E o que nos impede de reconhecer isso, além da falta de tempo? Algo a se pensar, pois, com certeza, valeria a pena. Afinal, somos muitos, mas não podemos esquecer que também somos únicos.

Espero que nós - alunos e tutores - consigamos, em algum ponto de nossa longa caminhada até a conclusão do curso, estreitar nossas relações, ainda que não seja tão provável que todos venham a se conhecer pessoalmente, mas que ao menos alguns possam transcender o ciberespaço que nos aproxima, mas, paradoxalmente, também nos separa.

Um abraço a todos, nos veremos daqui a pouquinho, na próxima etapa que começa com o 3º bimestre do curso de Licenciatura em Artes Visuais!


Ah! E, já que estamos falando de tempo, que tal uma homenagem do grande poeta Caetano Veloso ao nosso assunto: o tempo...? Bom, pelo sim, pelo não, vamos lá: Carpe Diem!
Oração ao Tempo

(Caetano Veloso)
És um senhor tão bonito quanto a cara do meu filho
Tempo, tempo, tempo, tempo... vou te fazer um pedido
Tempo, tempo, tempo, tempo...
Compositor de destinos, tambor de todos os ritmos
Tempo, tempo, tempo, tempo... entro num acordo contigo
Tempo, tempo, tempo, tempo...
Por seres tão inventivo e pareceres contínuo
Tempo, tempo, tempo, tempo... és um dos deuses mais lindos
Tempo, tempo, tempo, tempo...
Que sejas ainda mais vivo no som do meu estribilho
Tempo, tempo, tempo, tempo... ouve bem o que te digo
Tempo, tempo, tempo, tempo...
Peço-te o prazer legítimo e o movimento preciso
Tempo, tempo, tempo, tempo... quando o tempo for propício
Tempo, tempo, tempo, tempo...
De modo que o meu espírito ganhe um brilho definido
Tempo, tempo, tempo, tempo... e eu espalhe benefícios
Tempo, tempo, tempo, tempo...
O que usaremos pra isso fica guardado em sigilo
Tempo, tempo, tempo, tempo... apenas contigo e migo
Tempo, tempo, tempo, tempo...
E quando eu tiver saído para fora do círculo
Tempo, tempo, tempo, tempo... não serei nem terás sido
Tempo, tempo, tempo, tempo...
Ainda assim acredito ser possível reunirmo-nos
Tempo, tempo, tempo, tempo... num outro nível de vínculo
Tempo, tempo, tempo, tempo...
Portanto peço-te aquilo e te ofereço elogios
Tempo, tempo, tempo, tempo... nas rimas do meu estilo
Tempo, tempo, tempo, tempo...

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Escola Inclusiva


A exclusão escolar não ocorre apenas quando a criança ou o jovem está fora do sistema de ensino: ela acontece, muitas vezes, com o aluno matriculado regularmente na escola. Isso pode se dar por uma série de motivos, entre eles: questões lingüístico-culturais, dificuldade de aprendizagem (dislexia, hiperatividade, ritmo mais lento, etc.), necessidade especial leve ou acentuada (deficiência física ou intelectual), condição sócio-econômica, etnia, aparência (obesidade, albinismo), orientação sexual (homossexualidade), orientação religiosa, enfim, são muitos os fatores que podem levar um aluno a se sentir excluído, perseguido, humilhado ou ter qualquer tipo de desconforto continuado dentro do ambiente escolar.

Todo o adulto já teve a oportunidade de observar crianças e adolescentes, além de já ter vivido pessoalmente tais fases, e sabe, portanto, que estes podem ser extremamente cruéis com seus pares. Existem fases da vida nas quais é especialmente prazeroso para alguns torturar psicologicamente os outros, em especial aqueles que apresentam alguma diferença mais marcante em relação aos demais integrantes do grupo. Tal agressão pode tornar-se física, inclusive: não são raros os casos de assédio moral e agressões físicas nas escolas. Dessa forma, é papel do Educador (bem como dos demais profissionais que atuam na escola) observar tais comportamentos e intervir firmemente, antes que eles se tornem patológicos na escola, causando transtornos ainda mais graves.

Porém, além dessa intervenção, é necessária uma prevenção. É sempre oportuno que sejam trabalhados com os alunos temas que abordem a ética, o respeito à diversidade, de forma honesta e direta, porém, trazendo o lúdico, a interação e a participação efetiva dos alunos às discussões, para estas que não sejam transformadas em meros “sermões”, que serão, de qualquer forma, ouvidos, porém, totalmente rechaçados e esquecidos imediatamente.

É muito simplista e estranhamente cômoda, para a maioria, a postura de distanciamento dos problemas, com uma visão de que não vale a pena o investimento porque as crianças ou jovens que têm maus comportamentos são irrecuperáveis, já foram feitas inúmeras experiências, inclusive com jovens infratores, que provam o contrário. Entretanto, é necessário que haja motivação para mobilizá-los numa direção mais produtiva. Essa motivação provavelmente não será espontânea, terá, muitas vezes, de ser incentivada pelo Educador.
E, para que surja essa motivação intrínseca, devemos aplicar uma motivação extrínseca: elogiar os bons comportamentos, as ações feitas em prol da coletividade, os esforços pessoais de cada um, enfim, valorizar tudo o que há de bom e construtivo no indivíduo e no grupo.
Para começar, é necessário que o Educador conheça seus alunos: seu contexto sócio-econômico, sua comunidade, sua família, seu ritmo de aprendizado, seus interesses, potencialidades e limitações. Não é possível ter uma relação afetiva com quem não se conhece. É preciso, também, respeitar esse aluno, não subestimar a sua capacidade intelectual ou moral: ouvi-lo, dar-lhe espaço para que se expresse, para que opine, e para que o Educador possa, inclusive, aprender, com a vivência desse aluno. Tornar-se um parceiro dos alunos é o primeiro passo para que haja cumplicidade dentro do grupo, no sentido de cooperação e entendimento mútuos. Se o Educador for respeitado e bem quisto por seus alunos, poderá contar com eles nas diversas situações que se apresentam nesse relacionamento ensino-aprendizagem.

É necessário, também, além do estabelecimento da relação afetiva, tornar as aulas interessantes e interativas, tornando seu conteúdo atraente aos alunos. Isso se dará por meio da adoção de uma linguagem inteligível, da escolha de temas que façam sempre uma conexão com a realidade, pois, se o discurso for excessivamente acadêmico, o assunto pode rapidamente se tornar maçante e aluno abandonar o interesse e curiosidade sobre ele. A participação do aluno é também indispensável, a promoção de sua autonomia, porém, não se trata de abrir mão do papel de orientador, os papéis em sala de aula têm de estar sempre muito bem estabelecidos, conforme enfatiza o texto da Professora Diva Maciel, Processos Motivacionais e Inclusão Escolar: Contribuições à Formação do Professor de Artes (p. 105):

(...) não podemos concluir que devemos nos ater, em educação, a deixar a criança fazer apenas o que ela tenha interesse natural em fazer. (...) Pelo contrário, considerar a criança ativa e naturalmente motivada para conhecer e dominar o seu ambiente exige uma prática pedagógica sensível ao papel do professor de mediação entre a criança e a cultura, entre indivíduo e sociedade, entre a cultura primeira e a cultura elaborada.

Quanto à questão da inclusão de portadores de necessidades especiais, no ambiente escolar regular, isto é, com alunos que não possuem tais necessidades, além do que já foi exposto acima, em termos de respeito à diversidade e motivação comportamental, considero imprescindível uma formação adequada dos Educadores para a atuação efetiva na escola inclusiva.

Não é apenas com boa-vontade que se constrói um sistema educacional de qualidade para todos. Não é necessária apenas a empatia, são necessários (muito) treinamento, escolas com locais adequados para NEEs (acessibilidade), materiais específicos, equipamentos, ou seja, um ensino todo adaptado às diferenças e necessidades individuais. É também imprescindível que esse acolhimento seja estendido a todos: os colegas de escola também devem se engajar no sentido de incluir os portadores de necessidades especiais, pois é com eles que irão se relacionar mais constantemente dentro da escola.

Como futura Arte-educadora, considero que eu terei em mãos subsídios ainda mais interessantes para trabalhar com meus alunos tanto as questões motivacionais quanto as de inclusão, de respeito à diversidade. A Arte, em todas as suas linguagens, possibilita a fruição de todos, inclusive daqueles que não dispõem de um dos sentidos, ou que tenham dificuldade de locomoção, ou mesmo uma deficiência intelectual.

A Arte é democrática e pode ser lida de várias formas, não necessariamente das formas tradicionais: uma escultura, por exemplo, além de vista pode ser tocada. Cadeirantes podem dançar um ballet adaptado, isso já existe em vários lugares e proporciona ao público espetáculos belíssimos!

A Companhia de Dança Arte de Viver, por exemplo, está entre as 10 melhores do mundo na modalidade artística em dança para cadeirantes e já representou o Brasil em vários campeonatos, inclusive na Africa. Existem, hoje, eventos inteiros que exibem as produções artísticas de portadores de necessidades especiais em todas as linguagens da Arte, como o projeto Arte sem Barreias, cuja 1ª edição foi realizada em 2006:

“Evento ocupa diversos espaços culturais da cidade e traz trabalhos realizados por artistas com deficiência

Entre 19 de julho e 20 de agosto, diversos espaços da Cidade de Santos, São Paulo, serão palco, pela primeira vez, do Projeto Arte sem Barreiras, evento promovido pela Funarte, com patrocínio das Loterias da Caixa Econômica Federal. Dança, teatro, música, artes plásticas. Repleta de interessantes manifestações culturais, a mostra Santos guarda uma característica que a torna singular: os trabalhos apresentados são realizados por artistas com deficiência.
De grupos de dança com bailarinos sobre cadeiras de rodas até apresentação de bandas de percussão de surdos, passando por artistas que seguram o pincel com a boca, são muitas as possibilidades das pessoas com deficiências. Grandes nomes como Toulouse Lautrec e Anita Malfatti, por exemplo, tinham membros atrofiados e ainda assim, são lembrados pelo impacto causado por suas obras.

A mostra vai invadir até mesmo a Praça das Bandeiras e a Praia do Gonzaga. A intenção é promover a inclusão social e difundir a idéia de que a deficiência não impede a geração de olhares criativos e instigantes, traduzidos em obras que surpreendem pela qualidade estética, explica Claudia Amorim, coordenadora do projeto. O evento tem o apoio da Secretaria Municipal de Cultura, de Santos”.

Matéria na íntegra disponível em: http://www1.caixa.gov.br/imprensa/imprensa_release.asp?codigo=6304645&tipo_noticia=0

Enfim, o impossível não existe, são as próprias pessoas que colocam as limitações para elas mesmas e, algumas vezes, para os outros. Existe o mais difícil de alcançar, mas isso, em momento algum, quer dizer que não possa ser executado: para tanto, é necessário que o Educador também exercite a sua motivação... Afinal, o que o levou a cursar Licenciatura, senão a possibilidade maravilhosa de formar pessoas? E se essas pessoas são diferentes, isso deve se transformar numa barreira instransponível ou num desafio a ser encarado e as tais barreiras superadas?

Volta às aulas e volta à vida!




Queridos amigos,

A maioria de vocês já sabe que, no início desse ano, passei por uma situação bastante crítica, mas que, hoje, felizmente, o pior já passou!No dia 08/01 sofri um AVC (derrame) por causa de um aneurisma cerebral. Fui internada e, no dia 21/01, submetida a uma neurocirurgia, no Hospital da UNESP de Botucatu. Esse procedimento foi super delicado, durou 14,5 horas, mas foi realizado num local que é referência em neurologia, por isso, felizmente, fui muito bem assistida e deu tudo certo! Foi um susto muito grande e, no hospital, antes de ser operada, fiz diversos exames e recebi uma péssima notícia: além do aneurisma que causou o AVC, foram diagnosticados mais 3, por isso terei de passar por outra cirurgia dentro de 5 meses aproximadamente. Estou me recuperando muitíssimo bem, mas tenho certas limitações, claro, especialmente fiquei com alguns problemas de visão (o aneurisma estava atrás do olho esquerdo), mas nada que o tempo, a medicação e a observação de alguns cuidados indicados pelos médicos – e a necessidade que tenho agora de usar dois pares de óculos (perto e longe) – ou seja, nada que não dê para resolver! ;-)

Mas, por conta desses problemas, não posso ficar muito tempo em frente à tela do PC, por isso, vou ficar algum tempo “offline”: sem fuçar no Orkut, papear no MSN, trocar e-mails, essas coisas; tomara que todos entendam o meu sumiço, que, espero, não será muito prolongado...


Meu curso superior é online e estou priorizando o tempo que passo na internet para resolver as demandas do curso – que não são poucas! Aliás, esse bimestre tem sido bem diferente do anterior: a demanda cresceu absurdamente, tanto na leitura de textos enormes quanto na produção de trabalhos acadêmicos. Ufa! Mas, vamos lá, farei todo o esforço necessário para dar continuidade ao curso e, de quebra, espero conseguir manter boas menções. Provavelmente não terei SS em tudo novamente, mas, em vista de tudo o que se passou, estou fazendo o melhor que posso!

Essa situação e as minhas limitações têm exigido muito da Nega, também. Ela está tendo de assumir muitas das tarefas que eu tinha antes: compras de supermercado, pagamento de contas, enfim, toda essa parte sacal de administração de uma casa, porém, como estou em regime de repouso relativo, muito acabou caindo nas costas dela. Por isso quero me restabelecer completamente o mais breve possível, para que ela possa respirar um pouco!

Mas, apesar dos tropeços que todo esse episódio deixou, no meio disso tudo, eu também tive uma grande vitória: apesar da gravidade do que me aconteceu, houve tempo para eu ser operada, não sofri seqüelas muito severas do derrame e, acima de tudo: eu estou viva! Ou seja, mesmo no meio de adversidades, recebi várias bençãos de Deus.Outra benção com a qual fui contemplada é o fato de ser tão amada por tantas pessoas maravilhosas que fazem parte da minha vida! Não me canso de agradecer a Deus, porém, agora quero agradecer em público a essas pessoas: minha família e meus amigos. Agradeço o amor, o carinho e os cuidados de minhas filhas Raphaela, Johanna e Victoria; da Nega, minha companheira, amor da minha vida; e de minha irmã Sueli, que sempre foi mais do que uma verdadeira Mãe para mim e se desdobrou para ficar ao meu lado em todos os momentos.

Agradeço também a preocupação de outras pessoas da minha família – e isso inclui a família da Nega, pois há 11 anos essas pessoas maravilhosas me receberam sem restrições em seus corações - além de todas as minhas amigas e amigos que sofreram tanto, se preocuparam, oraram, enviaram suas vibrações positivas, encheram a sala de espera do hospital a procura de notícias minhas, correram atrás de médicos, enfim, que cuidaram com tanto carinho dessa pessoinha aqui! Espero nunca mais dar um susto desses em vocês, mas também por causa dele pude constatar o quanto sou querida por todos os que estão à minha volta e isso só aumentou a minha força para lutar e permanecer aqui, atormentando a vida de vocês! ;-)
E o resultado é esse: continuo na área e se me derrubarem é pênalti!Hehehe :D

MEUS QUERIDOS:

MAIS UMA VEZ, OBRIGADA A TODOS E TENHAM A CERTEZA DE QUE EU OS AMO MUITO TAMBÉM!
Suzy
Este depoimento foi escrito em fevereiro de 2008

sábado, 1 de dezembro de 2007

EEAD - Atividade 6: Dificuldades e Estratégias


Conheça as suas Dificuldades e encontre Estratégias para lidar com elas.

Caro aluno,


A partir do levantamento das condições nas quais vocês estudam, outros fatores que dizem respeito às condições internas de estudo também tenderão a ficar mais em evidência para você. Assim que você começar a se lembrar de aspectos de seu estudo que são mais subjetivos, tente registrar em seu diário de bordo, pois esse levantamento te será útil na hora de você pensar estratégias e de construir o seu plano de estudos.


Passo 1 - Leia em nosso glossário, a lista de dificuldades mais freqüentes, tente fazer um levantamento daquelas condições internas que podem ajudar ou prejudicar o seu estudo.
Leia, identifique, se identifique, reconheça, se reconheça nas diferentes dificuldades que estão relatadas no texto "dificuldades mais freqüentes".


Passo 2 - Desenvolva em seu Diário de Bordo o seu inventário de dificuldades, um relato que reflete como você se sente ao estudar, com quais dificuldades você luta todas os dias ao tentar dar andamento aos seus estudos.


Em seu Diário de Bordo responda às seguintes perguntas:


a) Que aspectos facilitam ou facilitariam mais a sua aprendizagem? Faça uma lista.


Facilitam:

Quando os assuntos são em pauta no curso são interessantes
Tutores receptivos e participativos
Conseguir um emprego estável
Organização nos estudos
Ambiente tranqüilo, destinado apenas aos estudos
Ter um PC em casa
Ter boa desenvoltura em informática
Ter alguns livros didáticos em casa
Ter minha companheira fazendo o mesmo curso

Facilitariam:


Assuntos menos repetitivos
Ter condições de freqüentar o pólo
Situação financeira estabilizada
Carga menor de fóruns e atividades
Conexão com a Internet ilimitada e mais rápida
Poder aumentar a memória do PC para ganhar agilidade
Poder imprimir alguns materiais
Poder freqüentar bibliotecas
Se minha companheira tivesse uma carga horária menor no trabalho


b) Quais fatores entre os acima descritos você considera imprescindíveis para o seu processo de aprendizagem? Descreva ou desenhe seu ambiente e a sua rotina habitual de estudos.


No momento, conseguir um emprego, pois isso traria estabilidade e, conseqüentemente, mais tranqüilidade para me dedicar aos estudos e aos demais aspectos da minha vida.


c) No texto "inventário de dificuldades" listamos aquelas que são mais freqüentes e comuns para quem estuda. Em alguma delas você chegou a pensar que ele estava falando de você?


Sim. Principalmente, essas: falta de dinheiro, ansiedade, nervosismo e achar a matéria chata.


d) Descreva aqui com quais dificuldades do "inventário de dificuldades" você se identificou, em que situações e qual a freqüência com que elas aconteceram ou acontecem.


Bem, como mencionei, meu desemprego prolongado tem sido a fonte de todos os meus problemas. Por causa dele estou sem dinheiro para gerir com tranqüilidade o meu orçamento doméstico, isso me causa nervosismo e ansiedade. Também por conta dessa instabilidade financeira, não tenho uma conexão melhor com a Internet, não posso aumentar a memória do PC, não posso comprar cartuchos para a nossa impressora, etc. Adicionalmente, estou sem condições de freqüentar o pólo, coisa que eu gostaria muito de fazer. Especificamente com relação ao curso, algumas matérias são repetitivas ou não me interessam, o que acaba me desestimulando um pouco.


Escolha três dificuldades que você identificou em você que causam dano ao estudo. Depois selecione no texto "Estratégias de Estudo" aquelas dicas e técnicas que você incorpora à sua forma de estudar para reduzir as dificuldades que você relatou. Registre em seu diário de bordo e tb no nosso fórum as estratégias que você selecionou para si respondendo às seguintes perguntas:


a) você chegou a aplicar as estratégias em seu cotidiano de estudos? como foi o resultado? Obteve melhorias imediatas ou só vai obter ao longo do tempo?


Não, porque nenhuma delas trata especificamente dos problemas que tenho enfrentado. Não me falta motivação, nem auto-confiança, não estou fatigada, enfim, a única coisa que preciso é de estabilidade financeira.


b) você adaptou as estratégias para as suas próprias necessidades e estilos pessoais antes de usá-las?


Resposta acima.


c) você ponderou sobre as vantagens e desvantagens de cada método de estudo escolhido? Eles podem ser modificados, ser variados, combinados, de acordo com as condições pessoais. As estratégias vão funcionar melhor de acordo com as preferências e facilidades de cada um.


A metodologia corrente é adequada para mim.

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Olhares sobre o Currículo de Licenciatura em Artes Visuais


O primeiro núcleo de disciplinas dos três cursos de Artes a distância da UnB (Artes Visuais, Teatro e Música) é comum. No entanto, a partir do segundo semestre, começaremos a cursar disciplinas relativas às especificidades de cada área de formação.


Fomos convidamos pelos tutores a compartilhar os nossos olhares a respeito do “Projeto Político Pedagógico de Licenciatura em Artes Visuais, Teatro e Música”, levantando dúvidas e indagações, para aprofundar a discussão sobre as concepções que perpassam a construção do Curso de Licenciatura em Artes. Essas reflexões seguem abaixo:


1. Possibilidades, limitações e potenciais dos pólos

Proposta: uma discussão sobre as possibilidades de desenvolvimento de projetos de arte e cultura nos pólos presenciais, que sejam relevantes para a vida dos pólos, e das comunidades locais.

Resposta: acho que é de fundamental importância o aproveitamento pleno dos pólos da UAB. Afinal, se tratam de equipamentos públicos, bem equipados, onde foram feitos altos investimentos, portanto, não deveriam funcionar apenas como apoio à modalidade EaD. Além disso, sob o ponto de vista dos alunos, acredito que façamos parte de um grupo privilegiado por estarmos tendo acesso ao ensino superior público de instituições do nível da UnB, portanto, é quase como se fosse uma obrigação moral nossa agirmos como multiplicadores do conhecimento ao qual temos acesso.

É claro que, à medida que o curso avançar, essa transferência será cada vez mais proveitosa para as comunidades locais. As possibilidades são infinitas: inclusão digital, aulas profissionalizantes, ações comunitárias pontuais ou permanentes que beneficiem diferentes grupos ou instituições locais - apenas para citar algumas. Além disso, como Cristina salientou, muitos alunos já são produtores de arte (pintores, escultores, atores, etc.) e poderiam fazer exposições, levar peças teatrais, enfim, seria uma democratização da cultura para as pessoas que não têm acesso e, também, uma maneira desses artistas divulgarem seu trabalho na cidade.

Falando especificamente de Itapetininga, creio que o pólo poderia – e deveria - se transformar num importante centro cultural para toda a região que, com exceção de Sorocaba e Tatuí, não oferece muito em termos de arte e cultura. A cidade de Itapetininga possui mais de 130 mil habitantes, uma população considerável, entretanto, com pouquíssimas opções de cultura e lazer, especialmente para as camadas mais pobres. Apenas recentemente se instalou aqui o teatro do SESI, não há muitas salas de cinema (exceto as do shopping, cujos ingressos não são acessíveis à maior parte da população), museus e galerias de arte, então, nem se fala! Apenas na música ainda existe uma oferta um pouco maior, mesmo assim, muitos shows são pagos, o que, novamente, exclui o acesso de muita gente.


3. Curso de Licenciatura em Artes Visuais


Proposta: discutir neste tópico as questões relacionadas com o curso de Licenciatura em Artes Visuais. Participar com comentários e indagações.

Resposta: estamos tendo uma discussão sobre o PPP - Projeto político-pedagógico do nosso curso. Além dele, estamos analisando um documento do MEC: Orientações Curriculares para o Ensino Médio.

Ambos são documentos interessantes, pois foram concebidos para contemplar todos os aspectos do ensino da arte no Brasil contemporâneo e da formação básica dos arte-educadores, que serão os responsáveis pela difusão e melhoria da qualidade do ensino de arte no país. Porém, guardadas as devidas proporções, quanto do exposto, em ambos os documentos, poderá ser realmente implementado, tal qual concebido teoricamente?

A grande maioria das escolas públicas está em condições deploráveis. Não há recursos, não há incentivo de parte alguma, muitas vezes, existe apenas o idealismo do educador, que passa por cima de todas as dificuldades, fazendo do nada o tudo, para manter uma escola em funcionamento. São escolas de lata, feitas de taipa, com paredes de isopor, e até sem paredes. Nessas condições, é factível a proposta do OCEM?

E quanto ao nosso currículo específico, de Licenciatura em Artes Visuais, a UnB/UAB conseguirá cumprir fielmente com as proposições feitas no PPP? Isso só será respondido no decorrer dos próximos 4 anos e, quanto ao ensino público, cada um de nós também terá uma resposta.

Saindo um pouco da discussão conceitual, e focando nos aspectos práticos, desde já, percebo que algumas coisas não estão acontecendo como o previsto no PPP: por exemplo, na página 8 (item 2.4.4. - Descrição do material do curso) menciona-se uma série de materiais e recursos muito interessantes. O trecho diz que “(...) um conjunto de materiais será remetido aos alunos por correio, com alguns dias de antecedência ao previsto para o início de cada módulo”. Esse conjunto seria composto, entre outras coisas, de:

1. Guia de estudo: orientações específicas para o estudo e as atividades do aluno no módulo;
2. Caderno de atividades do aluno: atividades, exercícios individuais e em grupo, especificando quais tarefas devem ser enviadas aos tutores para acompanhamento e avaliação;
3. CD-ROM: com material adicional e facilidades de conexão.

Cadê? Nós, aqui de casa, não recebemos nada! E são materiais extremamente necessários, pois sinto que, às vezes, nós, alunos, ficamos meio perdidos nas atividades (prazos, forma de envio, etc.). Também não existe o tal “reminder de tarefas” a serem feitas, como mencionado no PPP (p. 10), ferramenta que facilitaria em muito o nosso acompanhamento de elaboração e entrega de tarefas, participação nos fóruns, etc. O volume de trabalhos é muito grande, são três disciplinas distintas, cada uma com a sua demanda específica, portanto, é natural que fiquemos meio perdidos no meio de tanta informação.

Outro fator que dificulta é o de ainda não estarmos totalmente familiarizados com a plataforma Moodle, pelo menos a maioria não está, pelos comentários que lemos nos fóruns. Eu mesma já falei aqui no meu Diário de Bordo do WIKI, que, se teoricamente é uma ferramenta ótima, na prática a sua interface é tudo, menos amigável! E olha que eu sou uma “fuçadora” de mão cheia - gosto de computadores e entendo de informática, mas, mesmo assim, muitas vezes apanho do Moodle. Imagino quem não tem muita intimidade com informática, então! Deve estar mais perdido que “cachorro em dia de mudança”... (rs).

Não quero ser a “chata de plantão”, só levantei esses pontos para demonstrar que, como dizem, “o papel aceita tudo”, ou seja: na teoria, a coisa funciona de um jeito e, na prática, a dinâmica é outra, por mais que se tenha boa-vontade, às vezes, o que era viável no planejamento não é factível na execução.

Ademais, eu resolvi o meu problema de acompanhamento de tarefas com uma planilha em Excel. Sei que pode parecer o cúmulo do “CDFismo” (rs) mas, já comentei nos fóruns que sou metódica e só funciono com muita organização. Então, ao invés de ficar em contemplação, tipo: “ah, que pena que não tem o reminder de tarefas” eu vou e faço um!

Fiz esse trabalho recentemente (no dia 21/11), mas já está sendo muito útil. Especialmente pelo fato de, em casa, sermos duas estudantes fazendo o mesmo curso, e de Nega estar trabalhando muito ultimamente, ela conta comigo para colocá-la em dia sobre as tarefas que estão pendentes, etc. Por isso, achei que essa planilha a auxiliaria também: é só checar para saber em que pé estão as coisas, o que já foi feito, o que foi feito, mas ainda não foi postado, etc. Olha a “carinha” da planilha aqui:



É claro que também existe um preço a se pagar pelo pioneirismo. A experiência de EaD é relativamente nova no Brasil, ainda está, por assim dizer, em estágio embrionário. Várias adequações terão de ser feitas e, quase sempre, é só no dia a dia que a necessidade de alterações de percurso se apresenta. É humanamente impossível se prever todas as variáveis porque elas são exatamente isso: variáveis. Fatores que escapam ao controle.

Por isso, não estou aqui apenas para criticar, até porque uma crítica nem sempre é algo desfavorável, como as pessoas tendem a encarar. Pode ser muito construtiva, também. Especialmente se não for uma crítica vazia.

Afinal de contas, eu estou aqui, cursando licenciatura em Artes Visuais na UnB, uma das melhores instituições de ensino superior do país, gratuitamente, algo que até a bem pouco tempo me parecia impossível. Por isso, eu aplaudo o projeto, com seus “prós e contras”, porque, se não é perfeito, a simples iniciativa de se fomentar a UAB já se constitui num passo gigantesco para a melhoria do ensino no Brasil.

4. O que é um currículo para formação em Artes?

Proposta: colocar as dúvidas, reflexões e indagações sobre a construção do currículo que é, sobretudo, coletiva.

a) Na sua opinião, o que é um currículo em Artes?
Um conjunto de conhecimentos teóricos e práticos que serão a base da formação dos arte-educadores e lhes possibilitará a transferência desses conhecimentos aos vários atores da sociedade brasileira, em especial os alunos do ensino básico, porém, não restrito a eles, já que a escola pode e deve beneficiar outros grupos, tais como: familiares, comunidades, etc.

b) Como é construído?
Segundo a Carta aos Professores, do documento Orientações Curriculares para o Ensino Médio (p. 5), o currículo para a formação em Artes foi elaborado a partir da discussão do Ministério da Educação (MEC) com as equipes técnicas dos Sistemas Estaduais de Educação, professores e alunos da rede pública e membros da comunidade acadêmica.
No caso específico do Arte-educador, o currículo levou em consideração propostas e reivindicações dos professores, formuladas em diversas instâncias de representação profissional, tais como: FAEB, ABEM e ABRACE.

c) Quais são as funções e finalidades dos nossos Currículos?
As funções são relativas à formação técnica do professor (conhecimento teórico e prático) que lhe possibilitará ministrar o ensino de Arte, bem como a sua formação psico-pedagógica.
A principal finalidade é a elevação da qualidade do ensino de Artes no âmbito da educação básica no Brasil.

d) O que é um currículo vivo?
Um currículo dinâmico, flexível, atento às novas linguagens e tecnologias disponíveis, e que se adapte às necessidades para uma boa formação dos professores e, conseqüentemente, dos alunos.

e) Como você percebe a organização das áreas e das disciplinas?
O currículo está dividido em 4 núcleos: Acesso ao Curso, Fundamentação, Aprofundamento e Formação Específica em Artes Visuais, e Conclusão do Curso. Estes núcleos estão subdivididos em módulos que atendem necessidades específicas para a transferência dos conhecimentos teóricos e práticos ao futuro licenciado.

1. Núcleo de Acesso ao Curso: seus módulos dão uma visão geral de como será o desenvolvimento dos 4 anos de graduação e instrumentaliza o aluno da UAB/UnB para a modalidade de Educação à Distância (EaD);

2. Núcleo de Fundamentação: visa garantir o desenvolvimento do futuro licenciado nas habilidades fundamentais que um professor deve possuir, a fim de garantir uma educação de qualidade aos alunos do ensino básico;

3. Núcleo de Aprofundamento e Formação Específica em Artes Visuais: o título é auto-explicativo; tem por objetivo a pesquisa e a prática – por meio da participação em laboratórios e ateliês - das diferentes linguagens artísticas, bem como a participação do aluno em projetos e estágios supervisionados, que possibilitarão a aplicação do conteúdo acadêmico adquirido no curso à prática profissional;

4. Núcleo de Conclusão do Curso: análise e avaliação do desenvolvimento do aluno da UAB/UnB, ou seja, nessa altura, o futuro licenciado em Artes deverá demonstrar a qualidade de sua apropriação dos conhecimentos com os quais teve contato durante os 4 anos de curso, a fim de que sua graduação possa contribuir para a elevação da qualidade do ensino básico no Brasil.

Minha visão sobre a disciplina EEAD



Essa disciplina, Estratégias de Ensino e Aprendizagem a Distância, visa nesse momento inicial do curso nos instrumentalizar com ferramentas que possam facilitar o cotidiano de estudos e, principalmente evitar a evasão, pois, se a evasão é grande num curso presencial, essa tendência aumenta num curso a distância. Isso porque se trata de uma modalidade (EaD) que requer muita disciplina e, temos de levar em consideração que a “sala de aula” se transfere para as nossas casas, onde o risco de interferências é bem maior. Assim, são vários os fatores que podem acabar contribuindo para a evasão.

Até o momento, já foram levantados diversos assuntos, cada um deles abordando um aspecto da EaD: diagnóstico das condições externas, cultura da EaD, o aluno da EaD, o estudo na EaD e, a organização do estudo à distância e, agora, na unidade 6, as dificuldades e estratégias para a melhoria do estudo e da aprendizagem. Acho muito válida essa preocupação da UnB, principalmente porque tais discussões e reflexões servirão não apenas para os alunos, mas para dar mais subsídios à instituição, a fim de que ela possa melhorar processos para as próximas turmas, etc, garantindo assim a perenidade do projeto UAB.

Porém, apesar de reconhecer a validade da iniciativa, vou ser muito sincera: tenho dificuldade com certas abordagens dessa disciplina. Isso principalmente por dois motivos: porque as propostas, muitas vezes, têm um aspecto estritamente emocional, e eu sou uma pessoa bastante pragmática. Segundo porque as atividades são extremamente repetitivas. É mais ou menos trocar 6 por meia-dúzia: as perguntas são perecidíssimas, os exercícios idem. É chato quando um assunto já foi mais do que debatido e, mudando uma vírgula aqui e um ponto ali, o mesmo assunto volta à baila na semana seguinte. Desestimulante.

Quanto ao aspecto emocional das propostas, eu acredito, sim, que fatores emocionais possam interferir grandemente em todos os outros aspectos de nossas vidas, eu mesma estou passando por um momento de muita dificuldade que, várias vezes, acaba me atrapalhando: quando me deprimo, por conta desses problemas que tenho enfrentado, perco a concentração e a motivação. Mas, ainda assim, tenho muita dificuldade em executar algumas das propostas desta disciplina, especialmente aquelas que contém um claro viés de auto-ajuda.

Putz, auto-ajuda, para mim, não funciona mesmo! Me irrita profundamente, essa coisa de que a “felicidade está bem diante de você, basta estender a mão, etc...”, “querer é poder”, blá, blá, blá, todo esse lance Roberto Shiniashik, enfim, não dá! Que me desculpem os entusiastas dessa abordagem, mas, comigo, não rola.

Quem, em sã consciência, fica se sabotando? Quem não quer pegar a bendita “realização pessoal” nas mãos, já que ela está assim tão acessível, e viver com ela, felizes para todo o sempre? Eu, pelo menos, não tenho nada de masoquista; se as coisas comigo não estão bem, é porque realmente não estão bem e por motivos bem palpáveis, não é “coisa da minha cabeça”. Se não, vejamos: não tenho um emprego há mais de um ano, por isso, estou sem grana, estando sem grana, as contas vão se acumulando, se as contas se acumulam, eu fico nervosa, se fico nervosa, meus relacionamentos afetivos ficam abalados, se estão abalados, fico infeliz e deprimida, e por aí vai... Cada coisa que acontece na minha vida - e na de todo mundo - tem um motivo (real) e uma implicação (real). Portanto, por mais místico (ou cômodo) que seja, simplesmente não dá para dizer que tudo isso é porque eu não estou em “comunhão com o meu ‘eu’ interior” ou “aberta para o cosmos” para que o “universo possa conspirar a meu favor”. Ah, por favor, me poupem!

Bom, depois desse arroubo, vamos voltar ao que interessa: à discussão sobre a disciplina. Como exemplo dessa abordagem com um forte viés de “auto-ajuda”, eu posso citar a proposta de criação do “Diário Criativo”. Resumidamente, trata-se de um exercício onde devemos responder algumas perguntas desencadeadoras de reflexão para nos ajudar a prestar atenção aos altos e baixos emocionais, conhecer o impacto que os acontecimentos têm no nosso universo subjetivo, de forma a descobrirmos como esse universo impacta nos nossos estudos. As perguntas são do tipo:

1) Qual foi a dor que te curou mais?
2) Como eram as circunstancias nas quais você esteve mais perigosamente vivo?
3) Faça um ritual caseiro no qual você se compromete a atrair mais bênçãos para a sua vida.

Etc.

O Diário criativo não precisa necessariamente ser compartilhado com os tutores ou colegas, trata-se de um exercício confidencial, a fim de não causar nenhum tipo de constrangimento, o que eu acho bem legal. Nem sempre estamos dispostos a expor nossas fraquezas em praça pública, não é mesmo? Entretanto, ainda que ache extremamente válido, eu não o fiz, pois, para mim, a elaboração do Diário Criativo não teria o efeito desejado.

Como não precisamos mostrá-lo a ninguém, mas, temos de relatar no fórum específico (Metodologia do Diário Criativo) as nossas impressões a respeito de sua elaboração e metodologia, fui bastante franca a respeito, mesmo sob o risco de parecer pedante. Fiz isso porque não acredito em meias-verdades. Porque estamos num curso superior e não faria o menor sentido “enganar” minha tutora escrevendo um monte de “lero-lero” apenas para fazer uma “linha”.

Abro um parêntesis aqui para explicar que, de forma alguma, quero desmerecer a proposta do Diário Criativo, ou os colegas que a adotaram, pelo amor de Deus! Eu apenas quis ser verdadeira no que concerne a mim, por isso, expliquei o seguinte, no fórum que eu acho que esse exercício pode contribuir muito, no sentido de fazer com que haja uma reflexão sobre as barreiras que podem ser criadas por nós mesmos, em conseqüência de um emocional abalado, por exemplo.

Porém, para ser absolutamente honesta, que eu não sabia se estava pronta para ele... e acho que essa reflexão só seria válida se fosse feita com seriedade e comprometimento, e não apenas para ‘cumprir tabela’, por assim dizer, até porque, não faria o menor sentido: as respostas são confidenciais e não dá para enganar a si próprio, não é mesmo?.

Pois bem, agora me encontro em situação parecida, com outra proposta: fomos convidados pela tutora da disciplina a fazer um exercício sobre a gestão do nosso tempo, a fim de investigar de que forma os alunos podem reestruturar suas atividades a fim de acomodar os seus horários de estudos.

Bem, isso envolve alguns passos, a saber:

1. Descreva em uma lista um plano para as suas atividades diárias, desde a hora que você acorda até a hora que você deita, coloque dentro de um envelope lacrado e guarde na gaveta;
2. Descreva em uma lista suas atividades rotineiras, no tempo real que elas tomam para serem feitas;
3. Descreva a partir de uma observação mais precisa o que você faz de fato no decorrer de seu dia;
4. Abra o envelope, olhe a sua lista Ideal do uso do tempo. Abra a segunda lista, olhe com bastante atenção e compare as duas listas;
5. Descreva suas estratégias para otimizar o uso do seu tempo no seu Diário de Bordo;
6. Montar, baseando-se no texto “Como Montar seu quadro horário”, um plano de estudo ideal para você.
7. Tentar seguí-lo e ir relatando os reajustes que você está fazendo entre o plano ideal, e o plano “realista” que resulta das suas observações.

Então, é bem legal, mas, como é que eu vou me beneficiar disso se estou desempregada e tudo o que eu tenho, nesse momento, é tempo de sobra? (rs)

Ou seja, simplesmente não sei o que fazer! Invento um monte de atividades, e o plano ideal de estudos, simplesmente para cumprir a tarefa designada? Ignoro a tarefa, fico “na miúda” e deixo por isso mesmo? Explico, novamente, à tutora que não vou fazer porque, no meu caso, não faz o menor sentido, ainda que considere o exercício extremamente válido para quem, de fato, tem a vida atribulada e poderá se beneficiar com esse estudo? E o que ela vai achar dessa minha nova inserção: que eu estou sendo franca ou simplesmente insubordinada?

Como diz o velho ditado, acho que eu estou num mato sem cachorro! ;-)